Dormir bem é uma das condições importantes para que o organismo se recupere e mantenha seu funcionamento adequado. Durante o sono, há redução natural da frequência cardíaca e da pressão arterial, além de processos relacionados à regulação hormonal e metabólica. Quando o descanso é insuficiente, fragmentado ou irregular de forma persistente, esses mecanismos podem ser prejudicados e contribuir para fatores associados às doenças cardiovasculares.
A relação entre sono e coração não depende apenas da quantidade de horas dormidas. A regularidade dos horários, a continuidade do sono, a facilidade para adormecer e a sensação de descanso ao acordar também fazem parte de uma boa saúde do sono. Estudos reunidos pela American Heart Association relacionam alterações nesses aspectos a problemas como pressão alta, obesidade, alterações metabólicas e maior risco cardiovascular.
A insônia persistente também merece atenção. Uma revisão de estudos observacionais encontrou associação entre insônia e maior ocorrência de infarto, especialmente entre pessoas que dormiam cinco horas ou menos por noite. Os pesquisadores, porém, tratam os resultados como uma associação, e não como prova de que dormir pouco, isoladamente, seja a causa de um infarto. Outros fatores, como alimentação, sedentarismo, tabagismo, pressão arterial, colesterol, diabetes e estresse, também influenciam a saúde do coração.
Outro problema que pode afetar o sistema cardiovascular é a apneia obstrutiva do sono, caracterizada por interrupções repetidas da respiração durante a noite. O distúrbio pode provocar quedas de oxigênio e alterações na pressão e no funcionamento cardiovascular. Segundo a Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, a apneia grave está associada a maior risco de complicações cardiovasculares e deve ser investigada quando há sinais como ronco intenso, pausas na respiração e sonolência excessiva durante o dia.
Por isso, cuidar do sono deve fazer parte da rotina de prevenção. Manter horários regulares para dormir e acordar, reduzir estímulos antes de ir para a cama e procurar avaliação profissional quando as dificuldades para dormir são frequentes são medidas que podem contribuir para uma melhor saúde. O sono não substitui os demais cuidados cardiovasculares, mas passou a ser reconhecido como um dos componentes importantes para a manutenção da saúde do coração.


