Mutirão realizado no município faz parte de ação que une Agepen e Polícia Científica para ampliar o acesso à documentação civil dentro do sistema prisional
Três Lagoas já contabiliza 95 emissões da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) para pessoas privadas de liberdade, entre homens e mulheres. A iniciativa integra uma ação realizada pela Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), por meio da Polícia Penal, em parceria com o Instituto de Identificação Gonçalo Pereira, da Polícia Científica de Mato Grosso do Sul.
A emissão dos documentos diretamente nas unidades prisionais busca garantir que pessoas custodiadas tenham acesso à identificação civil regularizada, além de facilitar procedimentos de segurança e integração das informações oficiais.
Em todo Mato Grosso do Sul, um levantamento preliminar aponta que cerca de 500 CINs já foram emitidas para pessoas privadas de liberdade ao longo de 2026. O número estadual ainda está em processo de consolidação.
Em Três Lagoas, as ações foram realizadas por meio da unidade móvel do Instituto de Identificação, com participação de peritos papiloscopistas locais. O município está entre as cidades do interior que já receberam os mutirões de emissão do novo documento.

DOCUMENTO GARANTE ACESSO A DIREITOS
A Carteira de Identidade Nacional utiliza um modelo padronizado em todo o país e permite a integração das informações à base nacional de identificação. Para as pessoas que estão no sistema prisional, a emissão ainda durante o cumprimento da pena evita que deixem a unidade sem um documento civil regularizado.
A documentação pode facilitar, após a saída do sistema prisional, o acesso a serviços públicos, programas sociais, oportunidades de trabalho e outros direitos básicos necessários para a retomada da vida em sociedade.
Segundo a Agepen, a iniciativa também contribui para a organização e a confiabilidade dos registros, permitindo uma identificação mais padronizada.
EMISSÃO É FEITA DENTRO DAS UNIDADES
O projeto conta com a participação da Polícia Penal e do Instituto de Identificação da Polícia Científica. Em Campo Grande, policiais penais foram capacitados para realizar a coleta biométrica necessária à emissão da CIN nas próprias unidades.
O procedimento ocorre sob supervisão técnica do Instituto de Identificação, enquanto uma unidade móvel de coleta auxilia na realização dos atendimentos. A estratégia reduz a necessidade de deslocamento de pessoas privadas de liberdade, torna o processo mais ágil e amplia o controle durante a coleta dos dados.
Na Capital, os trabalhos já foram realizados em unidades como a Penitenciária de Regime Fechado da Gameleira II, o Instituto Penal de Campo Grande, o Presídio de Trânsito, o Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho e a Penitenciária de Regime Fechado da Gameleira I.
No interior, além de Três Lagoas, também foram realizadas ações em Nova Andradina e Rio Brilhante.

AÇÃO TAMBÉM CONTRIBUI PARA A REINSERÇÃO SOCIAL
Para a chefe da Divisão de Promoção Social da Agepen, Marines Savoia, a regularização da documentação é importante para o processo de reinserção social. Segundo ela, ter os documentos em mãos amplia as condições para que os egressos possam acessar serviços e procurar oportunidades de trabalho após o período de privação de liberdade.
A iniciativa está alinhada às diretrizes do programa Fazendo Justiça, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que trabalha para ampliar o acesso à documentação básica entre pessoas privadas de liberdade.
Além do aspecto relacionado à cidadania, a adoção da CIN no sistema prisional fortalece a identificação dos custodiados e a integração entre as bases oficiais utilizadas pelos órgãos públicos.
Em Três Lagoas, as 95 emissões realizadas entre o público feminino e masculino representam parte desse esforço para garantir documentação civil atualizada e, ao mesmo tempo, aprimorar os mecanismos de identificação dentro do sistema prisional.


