Com investimentos superiores a R$ 5 bilhões, fábrica da UFN3 deve entrar em operação em 2029 e produzir cerca de 16% da demanda nacional de ureia
A sanção da lei que cria o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert) coloca ainda mais em evidência a importância da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), em Três Lagoas, para a estratégia brasileira de redução da dependência de fertilizantes importados.
A nova legislação, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com um veto, estabelece medidas para estimular a produção nacional de fertilizantes e de matérias-primas de origem sintética, mineral e orgânica, além de remineralizadores, bioinsumos e biofertilizantes.
Entre os objetivos do programa estão a redução da dependência externa, o fortalecimento da segurança alimentar e nutricional, a diminuição dos custos da cadeia agropecuária e a garantia de um fornecimento mais estável de fertilizantes para o setor rural.
Uma das medidas previstas é o aumento gradual da participação de fertilizantes nacionais na mistura dos produtos comercializados no país. A partir de julho de 2027, o percentual mínimo obrigatório será de 2%, chegando a 10% em janeiro de 2037.
UFN3 GANHA PAPEL ESTRATÉGICO
A criação do Profert ocorre pouco mais de dois meses depois de Lula assinar, em 25 de junho, os contratos para a conclusão da UFN3, empreendimento que estava paralisado desde 2015 e que integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
A retomada da unidade foi confirmada pela Petrobras após uma nova avaliação técnica e econômica apontar a viabilidade do projeto. Na ocasião, Lula destacou a importância da fábrica para ampliar a autonomia brasileira na produção de fertilizantes.
Com investimentos superiores a R$ 5 bilhões, a conclusão da UFN3 representa um dos principais projetos da indústria de fertilizantes do país e deverá transformar Três Lagoas em um importante polo nacional do setor.
FÁBRICA DEVE PRODUZIR 1,3 MILHÃO DE TONELADAS POR ANO
A previsão é de que a UFN3 entre em operação comercial em 2029. Quando estiver funcionando plenamente, a unidade deverá produzir aproximadamente 3,6 mil toneladas de ureia granulada por dia e 2,2 mil toneladas de amônia diariamente.
A capacidade anual estimada é de aproximadamente 1,3 milhão de toneladas de ureia, volume equivalente a cerca de 16% da demanda nacional pelo produto.
A produção será especialmente relevante para o agronegócio do Centro-Oeste. Segundo informações do Palácio do Planalto, a região responde por aproximadamente 40% da demanda brasileira de ureia, impulsionada principalmente pelas culturas de milho, cana-de-açúcar, algodão e pelas pastagens.
TRÊS LAGOAS ESTÁ NO CENTRO DE UMA ESTRATÉGIA NACIONAL
Além da capacidade produtiva, a localização da UFN3 é considerada estratégica. A proximidade com importantes regiões produtoras deve contribuir para melhorar o abastecimento e reduzir custos logísticos para produtores rurais de estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo.
Para Três Lagoas, a retomada do empreendimento representa também a consolidação do município como um dos principais pontos da cadeia de fertilizantes no país, com potencial para movimentar a economia regional e gerar novos negócios relacionados à indústria e à logística.
Atualmente, a carteira de fertilizantes da Petrobras incluída no Novo PAC reúne quatro unidades: Fafen-BA, Fafen-SE, ANSA e UFN3.
A expectativa do governo é que, com a entrada em operação dessas plantas, a Petrobras consiga atender cerca de 35% do mercado nacional de ureia até 2029. O objetivo está diretamente ligado à redução da dependência histórica das importações e ao fortalecimento da produção brasileira de insumos essenciais para o agronegócio.
Nesse cenário, a UFN3 deixa de ser apenas um grande empreendimento industrial para Três Lagoas e passa a ocupar uma posição estratégica dentro de uma política nacional voltada à segurança alimentar, redução da dependência externa e fortalecimento da produção brasileira de fertilizantes.


