Com investimento bilionário na maior fábrica do mundo, município salta aos olhos no novo relatório da CBIC e transforma a dinâmica econômica da Costa Leste
Três Lagoas já conhece intimamente os impactos da revolução da celulose, mas agora a nossa vizinhança na Costa Leste sul-mato-grossense passa a ocupar o centro das atenções nacionais. Um relatório divulgado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), reportado pela jornalista Maria Luiza Dourado no InfoMoney, colocou o pequeno município de Inocência no mapa dos maiores geradores de emprego proporcional do Brasil no primeiro semestre de 2026.
PROJETO SUCURIÚ
Com pouco mais de 8 mil habitantes, a cidade viu seu mercado de trabalho disparar graças ao Projeto Sucuriú, conduzido pela empresa chilena Arauco. Trata-se de um investimento monumental de US$ 4,6 bilhões para erguer uma fábrica que, ao entrar em operação total em 2028, terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano — elevando em 70% a capacidade global da companhia e consolidando mais um marco histórico para o setor no estado.
EXPLOSÃO DEMOGRÁFICA
Até o mês de junho, o município acumulou um saldo de 3.810 vagas formais criadas exclusivamente no setor da construção civil. Esse fluxo maciço de operários e engenheiros alterou drasticamente a dinâmica local: a população flutuante de Inocência já alcança a marca de 23 mil pessoas, quase o triplo de seus moradores nativos. O resultado prático é uma corrida por novas obras de infraestrutura urbana, empreendimentos imobiliários e a expansão acelerada do comércio e de serviços.
ECONOMIA
De acordo com a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, o avanço de Inocência — ao lado de cidades como Santa Terezinha de Goiás (GO) e Jaguarari (BA) — reflete uma mudança estrutural no país. Os grandes investimentos deixaram de ficar confinados estritamente aos grandes centros urbanos e passaram a acompanhar o ritmo de megaprojetos industriais e de infraestrutura que redesenham a economia do interior brasileiro.


