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sábado, 15 de agosto, 2026

Agosto Lilás: MS já registra 21 feminicídios em 2026

Dados no mês de conscientização demonstram que violência doméstica já atingiu mais de 12 mil vítimas no mesmo período

Mato Grosso do Sul registrou 21 feminicídios entre janeiro e agosto de 2026, segundo dados do SIGO (Monitor da Violência contra a Mulher), da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), divulgados em 6 de agosto.

O número mantém o Estado entre os locais com índices elevados de violência letal contra mulheres e reforça a necessidade de ações permanentes de prevenção, proteção e enfrentamento à violência doméstica e familiar.

Em 2025, foram registrados 128 casos de feminicídio consumado ou tentado em Mato Grosso do Sul. Desse total, 39 mulheres foram mortas e 89 sobreviveram às tentativas de assassinato. Entre os casos analisados naquele ano, 91,5% das vítimas não possuíam medida protetiva.

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Os registros de violência doméstica também revelam a dimensão do problema. Entre 1º de janeiro e 1º de agosto de 2026, Mato Grosso do Sul contabilizou 12.245 vítimas, conforme o Monitor da Violência Contra a Mulher, elaborado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) com informações da Sejusp.

O volume corresponde a uma média de 57,5 vítimas por dia, ou aproximadamente 2,4 casos por hora.

No mesmo período de 2025, foram registradas 12.608 vítimas, média de 59,2 por dia. A comparação mostra uma redução de 363 registros no período analisado, mas mantém o número de ocorrências em patamar elevado.

AGOSTO LILÁS

Instituído em Mato Grosso do Sul pela Lei Estadual nº 4.969/2016, o Agosto Lilás é uma campanha de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher.

A mobilização tem entre seus objetivos divulgar a Lei Maria da Penha, ampliar a conscientização sobre as diferentes formas de violência e dar visibilidade aos serviços especializados disponíveis para mulheres em situação de violência.

Durante o período, órgãos públicos e instituições realizam ações de educação, informação, prevenção e mobilização social. Entre as iniciativas está também o programa Maria da Penha Vai à Escola, que promove atividades educativas voltadas ao público escolar.

LEI MARIA DA PENHA

A Lei Maria da Penha completou 20 anos em 7 de agosto de 2026. A legislação ampliou os mecanismos de prevenção e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar e estabeleceu medidas para responsabilização dos agressores.

Apesar dos avanços na legislação e na estrutura de atendimento, os números registrados no Estado mostram que a violência continua sendo uma questão de segurança pública, saúde e direitos humanos.

A ausência de medida protetiva em 91,5% dos casos de feminicídio consumado ou tentado analisados em 2025 também evidencia a importância do acesso à informação e aos mecanismos de proteção disponíveis.

VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA

A violência contra a mulher não se limita às agressões físicas. A violência psicológica pode envolver comportamentos que provoquem dano emocional, redução da autoestima ou tentativa de controlar ações, comportamentos, crenças e decisões.

Entre as formas de manifestação estão ameaças, humilhações, manipulação, isolamento e controle constante.

Em Mato Grosso do Sul, a Lei nº 6.203/2024 estabeleceu ações para fortalecer a saúde mental e enfrentar a violência psicológica entre mulheres. A legislação também incluiu no Calendário Oficial de Eventos do Estado a Semana de Conscientização sobre a Violência Psicológica entre Mulheres.

Entre as medidas previstas estão ações de conscientização, promoção da saúde mental, equilíbrio emocional e incentivo à união entre mulheres no enfrentamento de práticas discriminatórias e constrangedoras.

PREVENÇÃO

A prevenção envolve identificar diferentes formas de violência, conhecer os serviços disponíveis e facilitar o acesso das vítimas à rede de proteção.

Também fazem parte das estratégias de enfrentamento as ações educativas desenvolvidas em escolas e espaços públicos, além da divulgação de informações sobre direitos, legislação e canais de atendimento.

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) mantém iniciativas voltadas à promoção e defesa dos direitos das mulheres. Entre elas estão publicações educativas destinadas ao público infantil e materiais sobre violência de gênero, além da página multimídia “ALEMS e Elas”, que reúne legislação estadual de proteção às mulheres, dados, estatísticas e informações sobre a participação feminina no Parlamento estadual.

ONDE BUSCAR

Em situações de violência contra a mulher, existem canais especializados para denúncias, orientação e atendimento.

Denúncias e informações: 180.

Ministério Público: WhatsApp (67) 9-9825-0096. 72ª Promotoria de Justiça da Casa da Mulher Brasileira: 3318-3970.

Defensoria Pública: WhatsApp (67) 9-9247-3968. Núcleo de Defesa da Mulher: (67) 3313-4919. Atendimento on-line disponível pela instituição.

A rede de proteção reúne serviços de segurança pública, assistência, saúde, Justiça e atendimento especializado. A busca por orientação pode ocorrer mesmo antes de uma agressão física, especialmente diante de situações de ameaça, controle, perseguição ou outras formas de violência.

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