Estado já contabiliza 294 assassinatos nos primeiros sete meses do ano, número 35% maior que o registrado no mesmo período de 2024 e acende alerta na segurança pública
Mato Grosso do Sul vive um avanço preocupante nos índices de violência letal. Nos últimos dois anos, o número de homicídios dolosos, que são crimes cometidos com intenção de matar ou quando o autor assume o risco de provocar a morte da vítima aumentou mais de 35% no Estado, conforme dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS).
De acordo com o portal de estatísticas do órgão, entre 1º de janeiro e 24 de julho de 2026, Mato Grosso do Sul registrou 294 assassinatos. O mês de junho aparece como o período mais crítico do ano, com 54 mortes, representando quase 20% de todos os homicídios registrados até agora.
Somente em julho, até o momento, já são 44 homicídios contabilizados, número que ainda pode crescer com a atualização dos registros e pode levar o Estado a ultrapassar a marca de 300 assassinatos em 2026.
ANO MAIS VIOLENTO DESDE 2018
A comparação histórica dos primeiros sete meses do ano mostra que 2026 já ocupa uma posição preocupante. Nos últimos 10 anos, o Estado teve números maiores apenas em 2016 e 2017, quando foram registrados 404 e 375 homicídios dolosos, respectivamente, entre janeiro e julho.
Desde 2018, porém, nenhum outro ano havia apresentado um cenário tão grave quanto o atual. Os dados mostram uma escalada contínua da violência. Em 2024, Mato Grosso do Sul registrou 217 homicídios dolosos no período analisado. Em 2025, o número subiu para 248 casos e, em 2026, chegou a 294 vítimas, um crescimento de 35,48% em apenas dois anos.
TRÊS LAGOAS JÁ CONTABILIZA PELO MENOS DOZE MORTES VIOLENTAS NO PRIMEIRO SEMESTRE
Três Lagoas já contabiliza pelo menos 12 mortes violentas em 2026, entre janeiro e julho, em uma sequência de crimes que envolveu feminicídio, assassinatos por arma de fogo, mortes em confronto policial e execuções com características de acerto de contas.
O ano começou com o primeiro feminicídio registrado no município, com a morte da jovem Beatriz Benevides da Silva, de 18 anos. Em maio e junho, a cidade voltou a registrar uma onda de violência, com pelo menos cinco mortes em um intervalo de poucas semanas, incluindo vítimas de disparos de arma de fogo e idosos assassinados.
Já em julho, Três Lagoas viveu um dos períodos mais violentos do ano, com três homicídios registrados em menos de 48 horas e outros casos que elevaram o número de vítimas no município. O cenário coloca 2026 entre os anos de maior preocupação para a segurança pública local, com a Polícia Civil investigando as circunstâncias e a motivação de cada crime.
O último caso registrado de morte violenta no município foi de Roberto dos Santos Martinho, de 24 anos, que foi morto a tiros em um bar na rua Manoel de Faria Duque em 24 de julho. A vítima estava na parte externa do estabelecimento quando foi surpreendido por dois homens que chegaram em uma motocicleta. Sem qualquer chance de defesa, os criminosos efetuaram diversos disparos contra a vítima.
ESTADO PODE ULTRAPASSAR 500 ASSASSINATOS EM 2026
Mantendo a média registrada neste ano, de aproximadamente 42 vítimas por mês, Mato Grosso do Sul pode encerrar 2026 com mais de 500 homicídios dolosos, o que colocaria o ano como o terceiro mais violento da última década.
O número ficaria atrás apenas de 2016 e 2017, quando o Estado ultrapassou a marca de 600 assassinatos no período anual. Pela legislação brasileira, o crime de homicídio está previsto no artigo 121 do Código Penal.
A pena para o homicídio simples varia de 6 a 20 anos de prisão, podendo sofrer alterações conforme fatores como a motivação do crime, circunstâncias do assassinato, idade do condenado e demais elementos avaliados pela Justiça.


