Paralisada há quase 11 anos, fábrica de fertilizantes receberá investimento de US$ 1 bilhão e poderá reduzir em 12% a importação brasileira de ureia
Após quase 11 anos de paralisação, a Petrobras anunciou que pretende retomar até setembro as obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), em Três Lagoas. A informação foi confirmada pelo diretor de Processos Industriais e Produtos da estatal, William França, em entrevista à agência Reuters.
Para concluir o empreendimento, a Petrobras prevê um investimento de aproximadamente US$ 1 bilhão. A expectativa é que a fábrica entre em operação em 2029, tornando-se uma das principais unidades produtoras de fertilizantes do país.
Quando estiver em funcionamento, a UFN-3 terá capacidade para produzir 3,6 mil toneladas de ureia por dia e 2,2 mil toneladas diárias de amônia, insumos essenciais para o agronegócio brasileiro.
A localização da unidade em Três Lagoas é considerada estratégica pela Petrobras. O município está próximo de importantes polos consumidores de fertilizantes, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo, facilitando o abastecimento do setor agrícola e reduzindo custos logísticos.
A retomada da UFN-3 faz parte da estratégia da Petrobras para fortalecer a produção nacional de fertilizantes nitrogenados e diminuir a dependência do mercado externo. Além da fábrica de Três Lagoas, a companhia também reativou unidades nos estados do Paraná, Bahia e Sergipe. Segundo William França, somente a planta sul-mato-grossense será responsável por reduzir cerca de 12% das importações brasileiras de ureia.
“Essa planta sozinha deve reduzir as importações de ureia em 12%. Com as outras plantas combinadas, essa redução pode chegar a 35%”, afirmou o diretor. Atualmente, o Brasil importa grande parte dos fertilizantes nitrogenados utilizados no agronegócio, cenário que torna o setor vulnerável às oscilações de preços e aos riscos de abastecimento no mercado internacional.
Refinarias operam acima da capacidade
Durante a entrevista, William França também informou que as refinarias da Petrobras estão operando em torno de 101% da capacidade, medida adotada para reduzir a necessidade de importação de combustíveis durante o período de tensão geopolítica envolvendo Estados Unidos e Irã.
Com a redução desse cenário de instabilidade, a empresa pretende retomar as paradas programadas para manutenção das refinarias, principalmente ao longo de 2027.
Segundo o diretor, manter as unidades operando acima da capacidade máxima não é sustentável por longos períodos, tornando necessária a realização das manutenções previstas.
A confirmação da retomada da UFN-3 reacende a expectativa de geração de empregos, movimentação da economia local e fortalecimento do setor industrial de Três Lagoas, que poderá voltar a sediar uma das maiores fábricas de fertilizantes do Brasil.


