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sábado, 30 de maio, 2026

Mato Grosso do Sul registra queda de 88,5% na geração de empregos em abril

Estado criou apenas 583 vagas formais no mês, menor saldo positivo desde o início do Novo Caged, onde Inocência lidera contratações impulsionada por obras da Arauco

Mato Grosso do Sul registrou forte queda na geração de empregos formais em abril de 2026. Dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, mostram que o Estado criou apenas 583 novas vagas no período — o menor saldo positivo desde o início do Novo Caged, em 2020.

O resultado representa uma redução de aproximadamente 88,5% em comparação com abril de 2025, quando haviam sido gerados 5.060 empregos formais no Estado.

Mesmo com saldo positivo, o desempenho de abril deste ano ficou próximo dos piores índices da série histórica recente, perdendo apenas para abril de 2020, auge da pandemia da Covid-19, quando Mato Grosso do Sul registrou saldo negativo de -8.599 vagas.

Ao todo, foram 35.778 admissões contra 35.195 desligamentos no mês passado. A desaceleração no mercado de trabalho sul-mato-grossense foi puxada principalmente pelos setores do comércio, agropecuária e construção civil, que fecharam abril com mais demissões do que contratações.

O comércio registrou o pior desempenho, encerrando o mês com saldo negativo de -287 vagas. No período, foram 8.067 contratações e 8.354 desligamentos. Na agropecuária, o saldo ficou em -115 empregos, resultado de 5.312 admissões e 5.427 demissões.

Já a construção civil praticamente ficou estável, mas ainda fechou no negativo, com saldo de -8 vagas, após 3.488 contratações e 3.496 desligamentos.

Na contramão dos setores em queda, serviços e indústria impediram um resultado ainda pior para o Estado. O setor de serviços liderou a geração de empregos em abril, com saldo positivo de 813 vagas, enquanto a indústria fechou o período com 180 novos postos de trabalho.

INOCÊNCIA CONCENTRA QUASE 40% DAS VAGAS

O município de Inocência voltou a liderar a geração de empregos em Mato Grosso do Sul. Sozinha, a cidade foi responsável pela criação de 232 vagas formais em abril, o equivalente a cerca de 40% de todo o saldo positivo do Estado.

O crescimento é impulsionado pelas obras da fábrica de celulose da empresa chilena Arauco, que transformaram a realidade econômica do município.

Segundo informações da empresa, aproximadamente 13 mil trabalhadores atuam atualmente no canteiro de obras — número que já supera a população original da cidade, estimada em cerca de 8,5 mil habitantes antes do início do empreendimento.

A expectativa é que o número de trabalhadores chegue a 14 mil ainda este ano. Desde janeiro, Inocência já acumula saldo positivo de 3.539 empregos formais. Além do município, também tiveram destaque na geração de vagas as cidades de Sidrolândia (103), Dourados (74), Corumbá (69) e Aparecida do Taboado (53).

CENÁRIO NACIONAL

O Brasil também apresentou desaceleração no mercado formal de trabalho em abril. Segundo o Ministério do Trabalho, o país criou 85.888 empregos com carteira assinada no período, considerado o pior resultado de 2026 até agora.

No acumulado do ano, o saldo nacional é de 699.762 vagas formais, enquanto nos últimos 12 meses o país soma mais de 1 milhão de empregos gerados.

De acordo com o Ministério do Trabalho, fatores como o endividamento das famílias e a alta taxa de juros têm impactado diretamente o consumo e reduzido o ritmo de contratação, principalmente no comércio.

Em entrevista à CNN, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que, apesar da queda, a economia brasileira continua em trajetória de crescimento. “Não há motivo para desespero. O mercado segue crescendo, ainda que em ritmo mais moderado”, declarou.

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