Psicóloga e palestrante falou sobre o aumento dos casos de ansiedade, depressão e exaustão emocional, além dos impactos das redes sociais e da sobrecarga do cotidiano na saúde mental de adultos, jovens e crianças
A saúde mental voltou a ser tema de destaque no Jornal da Caçula, da 96 Caçula, nesta sexta-feira, 29. Durante entrevista, a psicóloga e palestrante Janaína Catolino falou sobre o aumento dos casos de ansiedade, depressão e exaustão emocional no Brasil, além dos impactos causados pelas redes sociais, excesso de cobranças e mudanças no comportamento da sociedade nos últimos anos.
Recebida pela equipe do programa após cerca de três anos desde sua última participação, Janaína destacou que o Brasil aparece entre os países com maiores índices de ansiedade do mundo e explicou que a pandemia foi um divisor de águas para o agravamento da saúde mental da população.

“A nossa realidade se modifica a cada momento. Hoje nós vivemos a era da performance, em que as pessoas sentem que precisam produzir, mostrar resultados e dar conta de tudo o tempo inteiro. A pandemia apenas escancarou uma fragilidade emocional que já existia”, afirmou.
Segundo a especialista, a exaustão mental causada pela rotina intensa de trabalho tem sido uma das principais causas de adoecimento emocional. “As pessoas estão colapsando. O trabalho demanda muita energia, muita cobrança e chega um momento em que o corpo e a mente cobram esse preço”, explicou.
Durante a entrevista, Janaína também esclareceu diferenças entre tristeza momentânea e depressão. Ela ressaltou que situações difíceis, como perdas, términos de relacionamento ou mudanças na vida, naturalmente provocam sofrimento emocional, mas que a depressão vai além disso.
“A tristeza comum tem um motivo e, com o tempo, vai diminuindo. Na depressão, existe uma angústia persistente, uma falta de esperança que não passa e começa a trazer prejuízos na rotina da pessoa, afetando trabalho, convivência social e qualidade de vida”, destacou.
Outro ponto abordado foi o impacto do uso excessivo de celulares e redes sociais na concentração, memória e autoestima, principalmente entre crianças e adolescentes. Janaína revelou preocupação com o crescimento alarmante de casos de ansiedade e depressão entre o público infantil.
“A internet e os vídeos rápidos estão derretendo a nossa cabeça. Se já afeta os adultos, imagine as crianças, que ainda estão em formação. A procura de pais preocupados com ansiedade e depressão nos filhos aumentou muito”, alertou.
A psicóloga explicou ainda que mudanças bruscas no comportamento infantil devem servir de sinal de alerta para os pais, como alterações no sono, alimentação, isolamento social e irritabilidade excessiva. “Crianças também sofrem. Elas sentem tristeza, medo, angústia e precisam ser acolhidas. Toda mudança de comportamento merece atenção e investigação”, pontuou.

Ao falar sobre preconceitos relacionados à terapia e aos transtornos mentais, Janaína foi enfática ao afirmar que procurar ajuda psicológica não é sinal de fraqueza, mas de coragem. “Estamos em 2026 e ainda existe quem ache que depressão é frescura. Procurar ajuda é um ato de coragem e de cuidado com a própria saúde. A terapia literalmente salva vidas”, afirmou.
A profissional também destacou que até mesmo psicólogos precisam de acompanhamento emocional devido à carga emocional enfrentada diariamente no atendimento de pacientes. “A gente também sofre, também sente, também tem traumas. O psicólogo estudou para lidar com as emoções, mas continua sendo humano”, disse.
Ao final da entrevista, Janaína deixou suas redes sociais e canais de contato para pessoas que desejam buscar orientação ou iniciar acompanhamento psicológico. O Instagram é @psicologa.janaina.catolino e o WhatsApp para contato é (67) 99963-3909.
“Sem saúde mental não existe saúde física. Procurar ajuda é um passo importante para cuidar de si mesmo”, finalizou.


