Coordenador de Arquitetura e Urbanismo da AEMS, Rodrigo Guimarães Pinho destaca importância da participação popular no diagnóstico que vai nortear políticas públicas de inclusão no município
A construção de uma cidade mais acessível, inclusiva e preparada para atender pessoas com deficiência e mobilidade reduzida foi tema da entrevista concedida pelo coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da AEMS (Faculdades Integradas de Três Lagoas) Rodrigo Guimarães Pinho, ao Jornal da Caçula desta segunda-feira, 25. Durante a conversa com a radialista Toninha Campos, da 96 Caçula, o professor falou sobre o diagnóstico do Plano Municipal da Pessoa com Deficiência e os desafios enfrentados por Três Lagoas na área da acessibilidade urbana.
Logo no início da entrevista, Toninha compartilhou a experiência pessoal que viveu ao permanecer quatro meses em uma cadeira de rodas após fraturar a perna. O relato serviu para reforçar as dificuldades encontradas diariamente por pessoas com deficiência e mobilidade reduzida no município. “É aí que a gente percebe como Três Lagoas ainda está arcaica”, comentou a apresentadora ao citar problemas em calçadas, guias rebaixadas e acessos urbanos.

Rodrigo explicou que a acessibilidade não atende apenas pessoas com deficiência permanente, mas também idosos, pessoas em recuperação de acidentes e qualquer cidadão com mobilidade reduzida temporária. “A cidade acessível é uma cidade melhor para todos. Isso envolve segurança, autonomia e qualidade de vida”, afirmou.
Segundo o coordenador, o Plano Municipal da Pessoa com Deficiência está sendo elaborado por uma comissão intersetorial criada por decreto municipal, reunindo representantes do poder público, conselhos, sociedade civil e instituições. O objetivo é construir um diagnóstico detalhado sobre as principais dificuldades enfrentadas pela população PCD em Três Lagoas.
De acordo com Rodrigo, cerca de 5% da população do município possui algum tipo de deficiência, conforme dados do IBGE de 2022, o que representa aproximadamente seis mil pessoas. A fase atual do trabalho é justamente o levantamento dessas informações por meio de formulários disponibilizados pela Prefeitura de Três Lagoas. Um deles é direcionado às pessoas com deficiência e outro às instituições e estabelecimentos comerciais.
“Nós queremos entender a realidade da cidade, ouvir as experiências, as dificuldades e as barreiras encontradas pela população. O diagnóstico é a fotografia do momento”, explicou.

Durante a entrevista, Rodrigo também destacou a participação do curso de Arquitetura e Urbanismo da AEMS no processo. Segundo ele, o tema acessibilidade já faz parte da formação acadêmica dos estudantes há mais de uma década.
“Os alunos estudam normas específicas de acessibilidade, desenvolvem pesquisas e artigos científicos sobre o tema. É uma discussão muito presente dentro da formação dos arquitetos e urbanistas”, ressaltou.
Outro ponto enfatizado pelo professor foi a importância da participação popular na construção do plano. Os formulários seguem disponíveis no portal oficial da Prefeitura de Três Lagoas e podem ser preenchidos de forma anônima até o dia 22 de junho. “A participação da população é fundamental para que o plano realmente represente as necessidades da cidade”, afirmou.
Após a conclusão do diagnóstico, os dados serão analisados para a elaboração de propostas, metas e políticas públicas voltadas à acessibilidade, inclusão e melhoria da mobilidade urbana em Três Lagoas.
Rodrigo ainda destacou que a Prefeitura já iniciou outras ações relacionadas ao tema, como a criação da Comissão Permanente de Acessibilidade do município. “Existe mobilização e interesse em avançar nessa pauta. Agora é o momento da população participar e ajudar a construir uma cidade melhor para todos”, concluiu.


