O governo federal deve anunciar ainda esta semana uma nova etapa do programa Desenrola Brasil, agora apelidada de “Desenrola 2.0”. A iniciativa, que será apresentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prevê a possibilidade de utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço para facilitar a renegociação de dívidas das famílias brasileiras.
A informação foi confirmada nesta segunda-feira (27) pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, após uma série de reuniões com representantes do setor bancário, em São Paulo.
Segundo Durigan, o uso do FGTS será permitido de forma limitada, com um percentual definido sobre o valor disponível para saque. O recurso ficará vinculado diretamente à quitação das dívidas dentro do programa, sem ultrapassar o montante devido.
“O saque será limitado e direcionado ao pagamento das dívidas, respeitando regras que preservem o próprio fundo”, explicou.
O novo Desenrola está sendo finalizado após negociações com instituições financeiras, incluindo os principais bancos do país. A expectativa do governo é apresentar o programa oficialmente nos próximos dias, após validação final pelo presidente.
A proposta mantém o foco nas dívidas com juros elevados, como cartão de crédito, crédito direto ao consumidor (CDC) e cheque especial — modalidades que hoje apresentam taxas mensais entre 6% e 10%. De acordo com o Ministério da Fazenda, esse cenário dificulta a saída do endividamento para grande parte das famílias.
O programa também contará com aporte do Fundo Garantidor de Operações (FGO), que servirá como base para viabilizar as renegociações em larga escala. A estimativa é que os descontos nas dívidas possam chegar a até 90%, dependendo do perfil do débito.
Apesar do alcance, o governo reforça que a medida será pontual. “Não se trata de um Refis recorrente. É uma ação excepcional diante de um cenário igualmente excepcional”, destacou Durigan.
A expectativa é de que o Desenrola 2.0 alcance dezenas de milhões de brasileiros. Na primeira edição do programa, lançada em 2023, cerca de 15 milhões de pessoas renegociaram aproximadamente R$ 53,2 bilhões em dívidas.
A nova fase surge como mais uma tentativa de aliviar o orçamento das famílias e reduzir os índices de inadimplência no país, em um momento em que os juros ainda seguem elevados, embora com perspectiva de queda.
Com informações Agência Brasil


