Mesmo com incertezas sobre fornecimento boliviano, Petrobras assegura operação da fábrica e prevê retomada das obras ainda em 2026
A possibilidade de redução no fornecimento de gás natural vindo da Bolívia não deve comprometer o funcionamento da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN3), em Três Lagoas. A Petrobras afirma que há alternativas viáveis para garantir o insumo essencial à produção, mesmo diante de um cenário internacional incerto. A avaliação é de que a fábrica seguirá com abastecimento assegurado, independentemente do cenário externo.
No plano de reativação da unidade, considerada estratégica para o país, está prevista a garantia de fornecimento de gás natural, matéria-prima para a produção de fertilizantes como ureia e amônia, além de gás carbônico. A estrutura tem potencial para se tornar a maior da América do Sul no segmento. A expectativa é de que a planta opere com plena capacidade após sua conclusão.
Segundo o gerente-executivo da Petrobras, Dimitrios Chalela Magalhães, a conexão com o gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol) assegura o fornecimento atual. Ele explica que, caso haja interrupção do gás boliviano, o sistema permite a reversão do fluxo para utilização de gás produzido no Brasil. A estratégia amplia a segurança energética e garante a continuidade da operação.
Quando estiver em funcionamento, a UFN3 deverá consumir cerca de 2,2 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. Atualmente, o Brasil importa entre 10 e 15 milhões de metros cúbicos diários da Bolívia, mas alternativas já estão em estudo para diversificar o fornecimento. O objetivo é reduzir a dependência externa e fortalecer a produção nacional.
Entre as alternativas, está a importação de gás da Argentina, proveniente da região de Vaca Muerta, com transporte pelo próprio Gasbol. Testes já realizados indicaram viabilidade técnica para esse modelo. A integração energética regional surge como uma solução estratégica para o abastecimento.
Além disso, a Petrobras prevê o uso de gás oriundo do pré-sal e de outras regiões do Brasil, com investimentos que ampliam a oferta nacional. Um dos projetos inclui a adição de 18 milhões de metros cúbicos de gás a partir da costa de Sergipe. A diversificação das fontes reforça a segurança do projeto.
A retomada das obras da UFN3 deve ocorrer entre junho e julho de 2026, dependendo da finalização de contratos prevista para maio. Após essa etapa, o início das atividades pode acontecer em até 60 dias. A previsão marca o fim de uma paralisação que já dura mais de uma década.
Com investimento estimado em US$ 1 bilhão, o projeto foi dividido em 11 pacotes para execução das etapas de construção. No auge das obras, a expectativa é de geração de até 8 mil empregos diretos, além de oportunidades indiretas na região. O impacto econômico deve ser significativo para Três Lagoas e todo o Estado.
Quando concluída, a unidade terá capacidade para produzir diariamente 3.600 toneladas de ureia e 2.200 toneladas de amônia, podendo atender cerca de 15% da demanda nacional por fertilizantes nitrogenados. O empreendimento é considerado essencial para reduzir a dependência de importações.
O tema ganhou ainda mais relevância após crises internacionais recentes, como a guerra na Ucrânia, que afetaram o mercado global de fertilizantes. Nesse cenário, a UFN3 se consolida como peça-chave para a segurança alimentar e econômica do país. A retomada do projeto reposiciona o Brasil em um setor estratégico.


