Alta na procura por crédito agrava cenário e plano federal busca aliviar situação de inadimplentes
Mato Grosso do Sul enfrenta um cenário preocupante de inadimplência, com mais de 1,2 milhão de consumidores endividados e um total de R$ 9,9 bilhões em dívidas acumuladas. Nos últimos 12 meses, a demanda por crédito no Estado cresceu 19%, segundo dados da Serasa Experian, refletindo o aumento da pressão financeira sobre as famílias.
Diante desse quadro, o Ministério da Fazenda estuda medidas para aliviar o endividamento, incluindo um programa de renegociação que pode oferecer descontos de até 80% em dívidas de crédito rotativo, como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia. A proposta está em elaboração e deve ser apresentada nos próximos dias.
Segundo o secretário executivo da pasta, Dario Durigan, a ideia é incentivar renegociações com descontos significativos e, ao mesmo tempo, permitir a reestruturação do saldo restante com juros menores, possivelmente com garantia do governo para reduzir o risco das instituições financeiras.
Dados do Banco Central do Brasil mostram que o comprometimento da renda das famílias com dívidas atingiu 29,3%, o maior nível desde o início da série histórica, em 2011.
Especialistas apontam que o aumento da procura por crédito está diretamente ligado à dificuldade de manter o orçamento doméstico. Com restrições no acesso a linhas mais baratas, muitos consumidores recorrem a modalidades com juros elevados, o que contribui para o agravamento da inadimplência.
Atualmente, as dívidas estão concentradas principalmente no sistema financeiro, com destaque para bancos e cartões de crédito, seguidos por financeiras e contas básicas, como água e energia.
O programa em estudo pretende justamente atacar essas modalidades mais caras, permitindo que consumidores troquem dívidas com juros elevados por opções mais acessíveis. A proposta também avalia a criação de um teto de juros para renegociação, especialmente para famílias de menor renda.
A expectativa é de que, com a medida, seja possível reduzir o peso das dívidas no orçamento das famílias e estimular a recuperação financeira dos consumidores no Estado e em todo o país.


