31.8 C
Três Lagoas
sexta-feira, 25 de setembro, 2026

Nova lei impede relativização de estupro de vulnerável no Brasil

Norma sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva estabelece que a vulnerabilidade de vítimas menores de 14 anos é absoluta e não pode ser questionada pela Justiça

Entrou em vigor no Brasil a Lei nº 15.353/2026, que reforça a proteção legal a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. A norma foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último domingo (8), data em que também se celebrou o Dia Internacional da Mulher.

A nova legislação altera o Código Penal Brasileiro para deixar explícito que a vulnerabilidade de menores de 14 anos é absoluta, ou seja, não pode ser relativizada com base no comportamento, histórico ou qualquer outra circunstância relacionada à vítima.

Embora o crime de estupro de vulnerável já estivesse previsto na legislação, a mudança acrescenta novos parágrafos ao artigo 217-A, reforçando que a idade da vítima é suficiente para caracterizar a vulnerabilidade.

No Brasil, a lei considera vulneráveis menores de 14 anos ou pessoas que, por doença, deficiência mental ou outra condição, não tenham discernimento ou capacidade de resistência diante de um abuso.

Segurança jurídica

A inclusão dessa interpretação diretamente na lei busca garantir segurança jurídica, evitando decisões divergentes em diferentes instâncias da Justiça.

Para a secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres do Ministério das Mulheres, Estela Bezerra, a mudança fortalece a proteção às vítimas e elimina brechas que permitiam interpretações equivocadas.

Segundo especialistas, quando o entendimento estava baseado apenas em decisões de tribunais superiores, havia margem para interpretações diferentes em tribunais de instâncias inferiores.

O superintendente da Childhood Brasil, Itamar Gonçalves, explicou que transformar esse entendimento em lei envia uma mensagem clara: o consentimento de uma criança nessa idade não possui validade jurídica.

Resposta a decisão judicial

A nova lei também surge como resposta a um caso recente analisado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que gerou forte repercussão ao relativizar a situação envolvendo um adulto e uma menina de 12 anos.

Com a mudança, a legislação passa a deixar explícito que nenhuma circunstância pode reduzir ou descaracterizar o crime quando a vítima tem menos de 14 anos.

Foco no agressor, não na vítima

Outro ponto importante da norma é impedir estratégias de defesa que tentem deslocar a responsabilidade do crime para a vítima.

De acordo com especialistas, elementos como comportamento da vítima, experiências anteriores ou até mesmo eventual gravidez decorrente do abuso não podem mais ser utilizados para atenuar ou descaracterizar o crime.

A advogada Mariana Albuquerque Zan, do Instituto Alana, afirma que a mudança também ajuda a evitar a exposição desnecessária da vida pessoal da vítima durante investigações e processos judiciais.

Combate à revitimização

Especialistas avaliam que a nova legislação também contribui para reduzir a chamada revitimização, quando a vítima é submetida a situações que revivem o trauma durante procedimentos judiciais.

Nesse contexto, a aplicação da lei deve seguir protocolos já previstos na Lei da Escuta Protegida, que estabelece formas adequadas de ouvir crianças e adolescentes vítimas de violência, garantindo acolhimento e evitando exposição desnecessária.

Desafio da prevenção

Apesar de ser considerada um avanço importante no combate à impunidade, especialistas ressaltam que a punição legal é apenas parte da resposta ao problema.

Organizações que atuam na defesa dos direitos da infância defendem que o combate à violência contra crianças e adolescentes também depende do fortalecimento das redes de proteção, da atuação das escolas e da conscientização das famílias.

Segundo especialistas, a prevenção passa por educação, informação e capacitação de profissionais da rede de proteção, incluindo policiais, promotores, juízes e profissionais da assistência social.

Eles também destacam que discutir o tema abertamente ajuda a quebrar o silêncio que muitas vezes envolve casos de violência contra crianças e adolescentes, permitindo identificar sinais de alerta e incentivar denúncias.

Deu na Rádio Caçula? Fique sabendo na hora!
Siga nos no Google Notícias (clique aqui).
Quer falar com a gente? Estamos no Whatsapp (clique aqui) também.

Veja também

Mais de 6 mil famílias de Três Lagoas podem ter desconto na conta de luz

Mais de 6 mil famílias de Três Lagoas podem estar deixando de receber um importante benefício na conta de energia elétrica. Segundo levantamento divulgado...

Campanha ‘Defesa Civil em Defesa da Vida’ alcança mais de 500 doações de sangue em Três Lagoas

A Prefeitura de Três Lagoas, por meio da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (COMDEC/TL), divulgou o balanço final da 2ª Edição da...

Feirinha do JEPP acontece neste sábado em algumas escolas municipais de Três Lagoas

Acontece neste sábado, 26 de setembro, ações de Fortalecimento Família e Escola (FFE) em algumas Unidades Escolares de Três Lagoas. Junto a essa ação,...
error: Conteúdo Protegido