23.3 C
Três Lagoas
quinta-feira, 12 de março, 2026

Após mais de 10 horas, júri condena trio acusado de matar trabalhador em 2021 no bairro Interlagos

Jurados reconheceram a premeditação do crime e condenaram três acusados por participação na execução de Francisco Gutemberg Vieira Pinto

Após um julgamento que se estendeu por aproximadamente 12 horas, o Tribunal do Júri realizado nesta quarta-feira, 11, no Fórum de Três Lagoas, condenou três pessoas acusadas de envolvimento no assassinato de Francisco Gutemberg Vieira Pinto, de 52 anos. O crime ocorreu em dezembro de 2021 no bairro Santa Luzia e teve grande repercussão na cidade. A sessão foi presidida pelo juiz Rodrigo Pedrini Marcos.

ACUSAÇÃO APONTOU CRIME PLANEJADO

Durante a sessão do júri, o Ministério Público sustentou que o homicídio foi previamente planejado. Segundo a denúncia, Agda da Silva Xavier teria organizado a execução da vítima após afirmar ter sido vítima de abuso sexual, acusando Francisco de ser o responsável. No entanto, conforme destacou a acusação, não havia registro formal da denúncia junto às autoridades policiais.

Ainda segundo o promotor, a arma utilizada no crime teria sido alugada por Agda por cerca de R$ 1,4 mil, dias antes da execução, de um homem. A investigação também apontou que o armamento teria sido guardado inicialmente por uma familiar já falecida antes de ser entregue à acusada.

A denúncia apresentada aos jurados indicou que Henrique da Silva Raimundo foi o responsável pelos disparos. No dia do crime, ele teria se disfarçado de jardineiro e aguardado a chegada da vítima utilizando uma bicicleta. Quando Francisco chegou ao ponto de ônibus, o atirador se aproximou e realizou diversos disparos. Após o ataque, ele fugiu do local.

Após o crime, a Polícia Civil iniciou as investigações e, poucos dias depois, prendeu Agda da Silva Xavier e familiares suspeitos de envolvimento. Já Henrique da Silva Raimundo deixou a cidade logo após o homicídio e foi localizado meses depois na cidade de Andradina, onde acabou preso.

DEFESA APRESENTOU VERSÃO DIFERENTE

Durante o julgamento, Agda negou ter planejado a morte da vítima. Em depoimento, afirmou que adquiriu a arma após sofrer ameaças e relatou temer pela própria segurança em razão de um suposto segundo episódio de abuso. Segundo ela, Henrique teria decidido agir por conta própria, motivado pela indignação diante da situação.

O Ministério Público, porém, contestou essa versão e afirmou que, logo após o crime, a acusada teria orientado familiares a apagar conversas, fotos e outras informações armazenadas em celulares, com o objetivo de dificultar o trabalho da investigação.

A defesa solicitou aos jurados a absolvição da acusação de homicídio triplamente qualificado ou a reclassificação do crime para homicídio privilegiado, alegando que a ré teria agido sob forte abalo emocional.

FLORIZIA ALEGOU NÃO SABER DO PLANO

A ré Florizia Batista da Silva Xavier afirmou em depoimento que não tinha conhecimento de qualquer planejamento para matar a vítima. Ela também declarou desconhecer a alegação de abuso sexual mencionada por Agda. Segundo sua versão, após o crime, apenas concordou em devolver a arma ao proprietário para evitar que sua avó, já falecida fosse envolvida no caso.

A defesa também pediu sua absolvição das acusações de homicídio qualificado, porte ilegal de arma de fogo e fraude processual. Após a análise das provas e dos depoimentos apresentados durante o julgamento, os jurados decidiram pela condenação dos três acusados.

Henrique da Silva Raimundo foi condenado a 16 anos de prisão, sendo 14 anos pelo homicídio triplamente qualificado e mais 2 anos e 10 dias por porte ilegal de arma de fogo.

Agda da Silva Xavier recebeu pena de 16 anos e 10 meses de prisão, sendo 14 anos pelo homicídio qualificado, 2 anos e 10 dias por porte ilegal de arma e mais dois meses por fraude processual.

Já Florizia Batista da Silva Xavier foi condenada a 13 anos e 20 dias de prisão. A pena inclui 10 anos, 10 meses e 20 dias pelo homicídio qualificado, com redução pela participação considerada restrita ao transporte da arma, além de 2 anos e 10 dias por porte ilegal de arma e dois meses por fraude processual. Todos os condenados permanecerão presos em regime fechado e ainda podem recorrer da decisão judicial.

Deu na Rádio Caçula? Fique sabendo na hora!
Siga nos no Google Notícias (clique aqui).
Quer falar com a gente? Estamos no Whatsapp (clique aqui) também.

Veja também

Ação rápida termina com dois foragidos presos em menos de duas horas em Três Lagoas

Ocorrências registradas nos bairros São João e Jardim das Acácias resultaram na captura de procurados pela Justiça durante patrulhamento nesta quarta-feira

Comboio do contrabando é interceptado após fuga em Brasilândia

Veículos carregados com mercadorias ilegais do Paraguai tentaram escapar durante patrulhamento, mas parte da carga foi apreendida pela polícia

Gerente de exames do DETRAN explica mudanças no exame de direção em MS

Lina Zeinab detalhou sobre as mudanças nas regras do exame prático e falou sobre o aumento nas aprovações de candidatos no estado