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quarta-feira, 11 de março, 2026

Polícia Científica adota novo procedimento em necrópsias

Nova técnica aplicada no Instituto de Medicina e Odontologia Legal de Campo Grande permite identificar com mais precisão causas de morte e reduz custos para o Estado

A Polícia Científica de Mato Grosso do Sul começou a implementar o uso rotineiro de uma técnica de tomografia com contraste em exames de necrópsia realizados no Instituto de Medicina e Odontologia Legal, localizado em Campo Grande.

O diferencial da iniciativa é que o contraste utilizado nos exames foi desenvolvido dentro da própria instituição, o que permite otimizar o uso da tecnologia e reduzir significativamente os custos para o poder público.

A aplicação do contraste possibilita visualizar com alta precisão a rede vascular mesmo após o óbito. Isso facilita o trabalho dos peritos em casos considerados complexos, já que a tomografia convencional nem sempre revela alterações evidentes. Com a nova metodologia, é possível identificar obstruções, rompimentos ou extravasamentos internos de forma mais clara e rápida.

Eficiência na medicina legal

Diferentemente de protocolos internacionais que utilizam insumos de alto custo, a solução desenvolvida em Mato Grosso do Sul foi pensada para a realidade da segurança pública local. A fórmula utiliza uma base composta por água, sulfato de bário e um agente estabilizador, permitindo que o contraste permaneça no sistema vascular durante todo o exame sem se espalhar para outros tecidos.

Com o método, o médico-legista consegue gerar reconstruções tridimensionais detalhadas das estruturas internas do corpo. Essa espécie de “necrópsia virtual” auxilia na determinação da causa da morte em casos como infartos, hemorragias internas ou situações inicialmente classificadas como indeterminadas, funcionando como ferramenta complementar à necrópsia tradicional.

Estrutura tecnológica

O estado de Mato Grosso do Sul se destaca no cenário nacional por possuir tomógrafos próprios em unidades de perícia. Atualmente, os institutos de medicina legal de Campo Grande e Dourados contam com esses equipamentos, colocando o estado entre os mais avançados do país na área de investigação forense.

Pesquisa e desenvolvimento

A consolidação da técnica também é resultado de pesquisas científicas conduzidas dentro da própria instituição. O projeto integra o mestrado do servidor Rodrigo Borges Gomes no programa de Ciência dos Materiais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

O pesquisador foi responsável pelo desenvolvimento da formulação do contraste, combinando experiência prática da perícia criminal com estudos acadêmicos. O trabalho conta ainda com colaboração técnica do Instituto Médico-Legal do Distrito Federal.

Nas próximas etapas do projeto, a equipe pretende ampliar o número de casos analisados, aprofundando os estudos para comprovar ainda mais a eficácia da tecnologia na investigação das causas de morte.

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