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segunda-feira, 2 de março, 2026

Teledermatologia acelera diagnóstico de câncer de pele

Ferramenta do Telessaúde UFSC fortalece o SUS e permite que até 70% dos casos sejam resolvidos na Atenção Primária

O telediagnóstico em dermatologia tem fortalecido a rede pública de saúde em Mato Grosso do Sul ao permitir que lesões de pele sejam avaliadas por especialistas sem que o paciente precise, inicialmente, sair do município de origem. A estratégia integra o Sistema de Telemedicina e Telessaúde (STT) e é ofertada nacionalmente pelo Telessaúde UFSC, da Universidade Federal de Santa Catarina, em parceria com a Central Estadual de Telemedicina de Santa Catarina, referência no país.

Reconhecida pelo Ministério da Saúde como ferramenta capaz de ampliar a resolutividade da Atenção Primária à Saúde (APS), a tecnologia tem potencial para solucionar cerca de 70% dos casos sem necessidade de consulta presencial com dermatologista.

O objetivo é melhorar o acesso da população aos serviços de média e alta complexidade em dermatologia, classificando o risco das lesões e organizando a fila de encaminhamentos conforme a gravidade.

A secretária-adjunta de Saúde, Crhistinne Maymone, destaca que a iniciativa fortalece o Sistema Único de Saúde (SUS). “Estamos falando de uma ferramenta que qualifica a Atenção Primária, reduz deslocamentos desnecessários e permite que casos suspeitos de câncer sejam identificados com mais rapidez. Isso impacta diretamente no prognóstico e na qualidade de vida dos pacientes”, afirma.

Como funciona o fluxo

O processo começa na Unidade Básica de Saúde (UBS), onde o médico identifica uma lesão suspeita e solicita o exame pelo STT, sendo responsável pela triagem e decisão clínica. Em seguida, é feito o registro fotográfico da lesão, etapa considerada decisiva para a qualidade do diagnóstico.

As imagens e informações clínicas são enviadas pela plataforma e avaliadas por dermatologistas especializados. O laudo, com classificação de risco e conduta indicada, é devolvido à unidade solicitante em até 72 horas.

O serviço atende tanto casos suspeitos de melanoma quanto de câncer de pele não melanoma e outras dermatoses, permitindo que grande parte das situações seja resolvida na própria Atenção Primária, evitando encaminhamentos desnecessários.

A superintendente de Saúde Digital da SES, Marcia Tomasi, ressalta que o sistema organiza o fluxo assistencial. “Além de ampliar o acesso ao especialista, o sistema estratifica o risco e prioriza quem realmente precisa de atendimento presencial. É tecnologia aplicada à gestão do cuidado, com impacto direto na eficiência da rede”, pontua.

Diagnóstico precoce e impacto regional

Desde a implantação do serviço, em 2019, Mato Grosso do Sul conta com 28 municípios e 43 pontos de atendimento aderidos ao telediagnóstico em dermatologia.

Conforme dados do serviço, foram identificados casos de melanoma e câncer de pele não melanoma nas macrorregiões Centro, Pantanal, Cone Sul e Costa Leste.

Melanoma

  • Centro: 5 casos (3 municípios)
  • Pantanal: 33 casos (2 municípios)
  • Cone Sul: 4 casos (2 municípios)
  • Costa Leste: 13 casos (7 municípios)

Não melanoma

  • Centro: 32 casos (4 municípios)
  • Pantanal: 125 casos (2 municípios)
  • Cone Sul: 42 casos (7 municípios)
  • Costa Leste: 103 casos (7 municípios)

Os números reforçam a importância da detecção precoce, especialmente no caso do melanoma, que apresenta maior agressividade. A identificação em estágio inicial e o encaminhamento rápido para confirmação e tratamento aumentam significativamente as chances de cura e controle da doença.

A coordenadora do Telessaúde da SES, Rosângela Dobbro, enfatiza que a qualidade do registro é determinante para o sucesso do serviço. “O exame só é validado quando segue rigorosamente os protocolos de imagem, identificação e consentimento do paciente. Investimos na capacitação das equipes porque quanto melhor o registro, mais preciso é o laudo e mais ágil é a conduta clínica”, explica.

Estrutura e adesão

Para implantar o serviço, o município deve formalizar adesão ao Telessaúde e adquirir o Kit de Dermatologia, composto por dermatoscópio, adaptador e equipamento de captura de imagem, conforme especificações técnicas mínimas.

A habilitação exige cadastro no sistema, capacitação das equipes e cumprimento dos protocolos de segurança, incluindo identificação adequada das lesões e assinatura do termo de consentimento pelo paciente.

Casos graves e pacientes sintomáticos não devem aguardar o laudo do sistema e precisam ser encaminhados imediatamente à rede de urgência e emergência.

De natureza ambulatorial, a teledermatologia amplia a capacidade diagnóstica dos municípios, evita deslocamentos desnecessários e garante prioridade aos casos de maior risco, contribuindo diretamente para o enfrentamento do câncer de pele no Estado.

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