Petrobras projeta reinício ainda este ano e conclusão da fábrica de fertilizantes para 2029
Paralisada há mais de uma década, a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN3), em Três Lagoas, entrou em uma nova etapa rumo à conclusão. A Petrobras confirmou que o projeto avança em duas frentes consideradas decisivas: a contratação dos pacotes de obras e a estruturação do fornecimento de gás natural, insumo essencial para a operação da fábrica.
Lançada em 2008 com a proposta de reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados e fortalecer o agronegócio, a UFN3 agora passa pela fase de seleção de empresas responsáveis pela conclusão das estruturas. Ao todo, foram organizados 11 processos licitatórios, divididos em diferentes lotes, estratégia que busca ampliar a concorrência e otimizar custos. Entre os serviços previstos estão obras de drenagem, pavimentação, construção de prédios administrativos, laboratórios e oficinas.
A estatal prevê que a aprovação final dos investimentos ocorra no primeiro semestre de 2026. Com isso, a expectativa é retomar efetivamente as obras ainda este ano. O cronograma inicial indica início da fase de pré-operação em 2028, etapa que antecede a produção comercial, com conclusão definitiva estimada para 2029.
DEMANDA DE GÁS JÁ ESTÁ PREVISTA EM PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO
Quando estiver em funcionamento, a unidade deverá consumir cerca de 2,2 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. Segundo a Petrobras, essa demanda já está incorporada ao Plano de Negócios 2026–2030, que contempla projeções de oferta, demanda e capacidade de transporte do insumo no país.
A empresa esclarece que o abastecimento ocorrerá por meio da malha integrada nacional de transporte de gás natural, que reúne múltiplas fontes, tanto nacionais quanto importadas. Dessa forma, o fornecimento não ficará vinculado a um país específico, como Bolívia ou Argentina, mas será atendido pelo sistema integrado.
O investimento previsto para este ano é de R$ 1,564 bilhão, valor que integra a Lei Orçamentária Anual sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O montante representa quase metade dos R$ 3,5 bilhões estimados para finalizar a unidade.
No total, o Plano de Negócios destina US$ 15,8 bilhões ao segmento de refino, transporte, comercialização, petroquímica e fertilizantes. Além da UFN3, o planejamento contempla a continuidade das operações das fábricas da Bahia, Sergipe e da Araucária Nitrogenados.
PRODUÇÃO VOLTADA AO CENTRO-OESTE E SUDESTE
O projeto prevê capacidade anual de produção de aproximadamente 1,2 milhão de toneladas de ureia e 70 mil toneladas de amônia. Pela localização estratégica, próxima a importantes polos agrícolas, a fábrica deverá abastecer prioritariamente os estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Paraná e São Paulo.
Considerada peça-chave para ampliar a autonomia do Brasil na produção de insumos agrícolas, a retomada da UFN3 é vista como um passo relevante para fortalecer a cadeia produtiva do agronegócio nacional.


