Jovem de 18 anos, é a quarta vítima de feminicídio no Estado em 2026, onde namorado confessou o crime à polícia e foi preso em flagrante
A madrugada em que perdeu a filha interrompeu também a rotina e os planos de José Domingues, de 35 anos. Durante o velório de Beatriz Benevides da Silva, de 18 anos, realizado na Capela Pax Mundial, em Campo Grande (MS), distante 327 km de Três Lagoas, o pai resumiu o sentimento em poucas palavras: “Parece que estou em um sono profundo”.
Beatriz foi morta na madrugada desta quarta-feira, 25, no Bairro Novo Oeste 2, em Três Lagoas. O namorado dela, Wellington Patrezi Batista Pereira, de 20 anos, procurou a Polícia Militar e confessou o crime. A jovem é a quarta vítima de feminicídio registrada neste ano em Mato Grosso do Sul.
Há menos de dois meses, Beatriz havia se mudado de Corumbá para morar com o pai, em busca de novos projetos. Em entrevista ao site Campo Grande News, José relatou que a filha estava animada com a nova fase. Tinha conseguido emprego em um posto de combustíveis e falava com entusiasmo sobre organizar a própria vida. “Ela estava feliz, queria conquistar as coisas dela”, contou.
O relacionamento com Wellington também era visto, inicialmente, como promissor. De acordo com o pai, Beatriz dizia que o companheiro tinha intenção de casar. Antes mesmo de conhecê-lo pessoalmente, José conversou com o rapaz por telefone para entender suas intenções. Quando Wellington chegou a Três Lagoas, ficou hospedado por uma semana na casa da família enquanto aguardava a liberação do imóvel alugado pelo casal.

“Ele era tranquilo, atencioso. Levava ela para o trabalho, buscava. Eu não via nada de errado”, relatou o pai. No último sábado, familiares ajudaram na mudança para o apartamento onde os dois passariam a morar. O clima, segundo José, era de comemoração.
A mãe da jovem, Thaiany Benevides dos Santos, de 32 anos, que vive em Campo Grande, afirmou que mantinha relação próxima com a filha. Segundo ela, Beatriz sempre falava positivamente sobre o namorado e não relatava conflitos graves.
Em depoimento à Polícia Civil, Wellington afirmou que o casal discutia com frequência por questões do dia a dia. Na terça-feira, 24, após desentendimentos envolvendo a montagem de um armário recém-comprado e outras situações domésticas, a discussão teria continuado durante a madrugada. Conforme relato do próprio autor, Beatriz teria pedido que ele deixasse o imóvel. Ele afirmou que, em meio ao confronto, a enforcou.
Por volta das 3h55, o jovem se apresentou no quartel da Polícia Militar e confessou o homicídio. Os policiais seguiram até o apartamento, localizado na Rua Buriti, onde encontraram a vítima já sem vida.
Durante o velório, o pai disse buscar forças para compreender o que aconteceu. “Eu estava tratando ele como um filho”, lamentou. Mesmo abalado, afirmou que deseja justiça. “Nada vai trazer minha filha de volta, mas ele precisa responder pelo que fez.”
Beatriz deixa três irmãos e, segundo familiares, era vista como exemplo dentro de casa pelo comportamento e dedicação aos estudos e ao trabalho. O caso segue sob investigação da Polícia Civil.


