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domingo, 22 de fevereiro, 2026

Projeto acelera recuperação da Mata Atlântica e reduz tempo de crescimento das espécies pela metade

Iniciativa na Bahia combina seleção genética e manejo para criar florestas mais resilientes às mudanças climáticas

Uma iniciativa de restauração florestal na Mata Atlântica, desenvolvida na Bahia, apresentou resultados considerados eficientes ao reduzir em até 50% o tempo de crescimento de espécies nativas e recriar florestas produtivas mais resilientes às mudanças climáticas. O trabalho é conduzido pela Symbiosis e faz parte de uma estratégia de recuperação ambiental iniciada em 2014.

Segundo a supervisora de melhoramento genético, pesquisa e desenvolvimento da empresa, Laura Guimarães, o projeto começou com a coleta e o mapeamento de indivíduos com maior potencial de conservação dentro de cada espécie estudada. A partir dessa seleção genética, foi possível recuperar cerca de 1 mil hectares do bioma utilizando 45 espécies nativas, incluindo jacarandá, jequitibá, ipês e angicos, escolhidas por sua capacidade de adaptação e desenvolvimento em diferentes condições ambientais.

De acordo com o gerente do viveiro de mudas da empresa, Mickael Mello, muitas das matrizes utilizadas são centenárias e sobreviveram ao processo histórico de exploração do bioma, carregando características genéticas altamente adaptadas. Além da escolha dos exemplares mais resistentes, as novas florestas foram estruturadas para garantir variabilidade genética e reduzir riscos associados à homogeneização das espécies.

Historicamente, a Mata Atlântica já cobriu cerca de 130 milhões de hectares do território brasileiro, área equivalente ao tamanho de países como o Peru. Atualmente, restam aproximadamente 24% dessa cobertura vegetal, sendo apenas 12,4% de florestas maduras e bem preservadas, distribuídas em fragmentos ao longo de 17 estados.

Para o gerente de Restauração Florestal da Fundação SOS Mata Atlântica, Rafael Bitante Fernandes, a fragmentação reduz a variabilidade genética e compromete a capacidade adaptativa das espécies, tornando os ecossistemas mais vulneráveis a eventos climáticos extremos, como secas prolongadas e chuvas intensas.

Segundo ele, a perda de biodiversidade impacta diretamente a vida das pessoas ao reduzir serviços ecossistêmicos essenciais, como disponibilidade de água, qualidade do ar, regulação do clima, controle de doenças e produtividade agrícola.

O declínio do bioma e os riscos econômicos associados aos impactos ambientais têm levado empresas privadas a enxergar a restauração florestal como investimento e oportunidade de negócio, e não apenas como ação filantrópica. Modelos de manejo sustentável permitem exploração permanente de produtos madeireiros e não madeireiros, como óleos e essências, sem a necessidade de desmatamento total, mantendo o sequestro de carbono e a biodiversidade.

Esse movimento se soma a iniciativas como o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, criado em 2009 com a meta de recuperar 15 milhões de hectares do bioma até 2050.

Estudos indicam que entre 1993 e 2022 cerca de 4,9 milhões de hectares entraram em regeneração natural, embora parte dessas áreas tenha voltado a ser desmatada. Ainda assim, especialistas consideram o bioma brasileiro um dos principais modelos globais de restauração ambiental.

Apesar dos avanços, especialistas apontam que ainda é necessário ampliar políticas públicas, incentivos financeiros e mecanismos como pagamento por serviços ambientais, já que cerca de 90% do território da Mata Atlântica está em áreas privadas.

A restauração em larga escala também pode gerar impactos sociais positivos. Estimativas indicam potencial de criação de empregos em atividades ligadas ao reflorestamento, além de benefícios econômicos associados ao desenvolvimento sustentável.

Para os especialistas, a combinação entre ciência, políticas públicas e participação do setor privado será determinante para garantir a recuperação do bioma e alcançar a meta prevista até 2050.

com informações agência Brasil


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