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quinta-feira, 26 de março, 2026

Fiocruz auxilia SUS na preparação para possíveis casos do vírus Nipah, apesar de risco baixo ao Brasil

Doença tem registros apenas no Sudeste Asiático e não há circulação do vírus nem dos morcegos transmissores no país

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) informou que está colaborando com o Sistema Único de Saúde (SUS) na preparação para eventuais casos do vírus Nipah (NiV), embora o risco para o Brasil seja considerado baixo pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde.

Atualmente, há apenas dois casos confirmados da doença na Índia, sem registros fora do Sudeste Asiático. Segundo as autoridades de saúde, não existe indicação de risco de disseminação internacional nem de ameaça à população brasileira.

“Até o momento, o vírus só circulou no Sul e Sudeste da Ásia”, afirmou Tânia Fonseca, coordenadora de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fiocruz. Ela explicou que surtos esporádicos já foram registrados em países como Malásia, Singapura, Índia, Bangladesh e Filipinas. “O vírus Nipah está na lista de patógenos prioritários da OMS, ao lado de outros com potencial pandêmico e/ou de gravidade acentuada”, destacou.

Mesmo sem indicação de risco no Brasil, a Fiocruz mantém equipes técnicas e infraestrutura preparadas para qualquer eventualidade. A análise de amostras suspeitas ficará concentrada no Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), laboratório de referência do Ministério da Saúde para o vírus. Já o atendimento de possíveis pacientes será realizado no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), definido como unidade hospitalar de referência.

O vírus Nipah é transmitido principalmente por morcegos frugívoros da família Pteropodidae, conhecidos como raposas-voadoras. A infecção pode ocorrer por meio do consumo de alimentos contaminados por saliva ou urina desses animais, além de, mais raramente, pela transmissão entre pessoas ou pelo contato com superfícies contaminadas.

De acordo com o coordenador-executivo da Fiocruz Mata Atlântica, Ricardo Moratelli, essas espécies não existem no Brasil nem nas Américas. “As raposas-voadoras vivem na Ásia, Oceania, Madagascar e partes da África. Não há qualquer evidência de circulação do vírus Nipah nas espécies de morcegos que ocorrem no Brasil”, afirmou.

Moratelli também ressaltou a importância dos morcegos para o equilíbrio ambiental. “Eles desempenham serviços ecossistêmicos fundamentais, como a dispersão de sementes, polinização e controle de insetos que podem ser pragas agrícolas ou vetores de doenças”, explicou.

Como medida preventiva, a Fiocruz e o Ministério da Saúde ajustaram os protocolos de diagnóstico e o fluxo de atendimento para possíveis suspeitas da doença. O plano inclui a disponibilidade de testes laboratoriais, com validação da Coordenação-Geral de Laboratórios de Saúde Pública (CGLAB), caso haja necessidade de investigação no país.

As autoridades reforçam que, no momento, não há motivo para alerta à população, e que o monitoramento segue de forma preventiva e técnica, como parte das ações de vigilância em saúde pública.

com informações jornal Midiamax


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