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terça-feira, 3 de fevereiro, 2026

Rota Bioceânica reposiciona Mato Grosso do Sul como elo estratégico do comércio internacional

Corredor ligando o Brasil aos portos do Chile transforma o Estado em hub logístico continental e amplia oportunidades econômicas

or décadas, Mato Grosso do Sul foi visto, sob a ótica econômica e logística, como um estado periférico, distante dos grandes centros consumidores e das principais rotas internacionais de comércio. Esse cenário, no entanto, começa a mudar com a consolidação da Rota Bioceânica, corredor internacional que conecta o Brasil aos portos do Chile, atravessando Paraguai e Argentina, e que reposiciona o Estado como um elo estratégico da integração sul-americana.

Ao ligar o Centro-Oeste brasileiro ao Oceano Pacífico, a rota amplia a competitividade das exportações, reduz custos logísticos e insere Mato Grosso do Sul em uma nova dinâmica de circulação de mercadorias, serviços e pessoas. Mesmo antes da inauguração oficial, os impactos já são perceptíveis.

Em entrevista, o diplomata João Carlos Parkinson, do Ministério das Relações Exteriores, destacou que o corredor já influencia um novo modelo de desenvolvimento regional. Segundo ele, trata-se de um movimento inédito na história do Estado. “Pela primeira vez, um presidente de país vizinho, no caso o Paraguai, realizou visita oficial a Campo Grande para manter contatos com o governador. Com o corredor, fortaleceu-se a integração física, comercial, econômica e cultural”, afirmou. Para Parkinson, esse processo marca um ponto de inflexão: “O Estado se internacionalizou”.

A integração promovida pela Rota Bioceânica, conforme avalia o diplomata, não se limita ao governo estadual. Municípios e lideranças locais passaram a se reconhecer como parte de um processo irreversível de integração continental, que tende a envolver também o setor produtivo e a sociedade.

Um dos efeitos esperados é a diversificação da base econômica, com ampliação de oportunidades para pequenas e médias empresas, tradicionalmente mais dependentes do mercado interno. “O corredor abriu espaço e tornou essas empresas mais interessantes para futuras parcerias comerciais internacionais”, destacou Parkinson.

Campo Grande desponta como um dos principais polos beneficiados. A capital sul-mato-grossense já é considerada um hub logístico da Rota Bioceânica, atraindo o interesse de grandes empresas para a instalação de centros de distribuição e armazéns inteligentes, capazes de atender tanto o mercado nacional quanto os fluxos internacionais.

Segundo o economista Michel Constantino, consultor da Secretaria Municipal de Inovação, Desenvolvimento Econômico e Agronegócio (Semades), há grupos em fase de prospecção e pedidos de licenciamento junto à prefeitura. “É um movimento estratégico que antecipa os impactos da Rota Bioceânica e coloca Campo Grande como polo central de logística no corredor que ligará o Brasil ao Pacífico”, afirmou.

A Rota Bioceânica terá início em Porto Murtinho, no sudoeste do Estado, passando pelo Paraguai e pela Argentina até alcançar os portos chilenos de Antofagasta e Iquique. A expectativa é de que o novo trajeto permita uma economia de até 17 dias no transporte de mercadorias com destino à Ásia, em comparação com a rota tradicional pelo Porto de Santos.

O novo posicionamento geográfico amplia o acesso aos mercados asiáticos e fortalece a competitividade do Estado no comércio internacional. O interesse internacional já é evidente, segundo Parkinson, que relatou a atenção de autoridades da Índia, Japão e Cingapura durante agendas oficiais do governador Eduardo Riedel no exterior.

Apesar do potencial, o diplomata ressalta que a consolidação da rota como vetor de desenvolvimento exige avanços institucionais, como a ampliação de acordos internacionais, fortalecimento da segurança jurídica e criação de mecanismos para atração de investimentos estrangeiros.

No campo das obras, a ponte internacional sobre o Rio Paraguai, que ligará Porto Murtinho a Carmelo Peralta, está com cerca de 90% de execução. A expectativa é de que a ligação entre os dois países seja concluída até maio, com finalização total do acesso e das estruturas complementares até o fim do ano.

Com extensão total de 2.396 quilômetros, a Rota Bioceânica representa um dos maiores projetos de integração logística da América do Sul, conectando os oceanos Atlântico e Pacífico e consolidando Mato Grosso do Sul como peça-chave no mapa econômico continental.

com informações Correio do Estado


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