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segunda-feira, 6 de julho, 2026

Canetas emagrecedoras usadas sem controle médico podem comprometer hormônios como a testosterona

Fácil acesso a medicamentos sem prescrição, especialmente via Paraguai, impulsiona automedicação e eleva riscos à saúde masculina em Mato Grosso do Sul

O uso de canetas emagrecedoras como Mounjaro e Wegovy tem crescido de forma acelerada no Brasil e acende um alerta entre especialistas em saúde. Em Mato Grosso do Sul, a proximidade com o Paraguai e a facilidade de compra sem prescrição médica têm favorecido a automedicação, prática que pode trazer consequências sérias, especialmente para a saúde hormonal e sexual dos homens.

De acordo com o urologista e especialista em saúde do homem, Dr. Henrique Coelho, o principal problema não está no medicamento em si, mas no uso indiscriminado e sem acompanhamento médico. Segundo ele, a ausência de exames prévios e de monitoramento contínuo aumenta consideravelmente os riscos ao organismo.

“O vilão não é a caneta emagrecedora, mas o uso sem prescrição, sem exames e sem avaliação dos impactos que esse tratamento pode causar”, afirma o médico.

Estudo recente publicado no British Medical Journal (BMJ) aponta outro fator preocupante: o chamado efeito rebote. A pesquisa mostra que pessoas que interrompem o uso das canetas podem recuperar o peso perdido até quatro vezes mais rápido do que aquelas que emagrecem por meio de alimentação equilibrada e atividade física. Durante o tratamento, pacientes chegam a perder cerca de 20% do peso corporal, mas após a suspensão, o ganho médio pode chegar a 0,8 quilo por mês.

Segundo o especialista, o organismo não reconhece esse processo como saudável. A resposta do corpo é tentar recuperar rapidamente o peso perdido, o que gera frustração e novos riscos metabólicos.

Os impactos são ainda mais sensíveis na saúde masculina. Conforme explica o urologista Dr. Henrique Sherer, o equilíbrio hormonal, especialmente da testosterona, é fundamental para o bom funcionamento do organismo do homem. Mudanças bruscas no peso e restrições calóricas severas podem sinalizar ao corpo um estado de “fome”, reduzindo a produção hormonal.

Essa desregulação pode resultar em queda da libido, disfunção erétil e até redução da qualidade do esperma. No curto prazo, os efeitos mais comuns incluem deficiências nutricionais, perda de massa muscular, cansaço excessivo, alterações de humor e diminuição do desejo sexual. Já no médio e longo prazo, os riscos envolvem desregulação hormonal persistente, infertilidade masculina, maior risco metabólico, dificuldade para manter o peso e possível sobrecarga renal em pacientes predispostos.

Para os especialistas, não existem atalhos seguros quando o assunto é emagrecimento. O uso desses medicamentos só deve ocorrer quando houver indicação médica, aliado a acompanhamento profissional, exames regulares e mudanças reais no estilo de vida.

“O homem precisa entender que emagrecer rápido demais pode custar caro no futuro”, conclui o urologista.

Com informações Correio do Estado

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