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segunda-feira, 2 de março, 2026

Moradora de Três Lagoas morre após cirurgia cardíaca de emergência em Campo Grande

Após dias de espera por cirurgia de emergência, Míria Peter Vitalino, de 42 anos, não resistiu ao procedimento em Campo Grande

A vida de Míria Peter Vitalino, de 42 anos, foi interrompida após uma corrida contra o tempo dentro de uma UTI e uma cirurgia cardíaca de emergência. Diagnosticada com dissecção de aorta tipo A, uma das condições mais graves da medicina, ela não resistiu ao procedimento realizado na Santa Casa de Campo Grande, nesta terça-feira (13).

Internada desde sexta-feira (9) na Santa Casa de Campo Grande, Míria aguardava uma cirurgia cardíaca considerada imediata e vital. O diagnóstico, feito após uma peregrinação por unidades de saúde em Três Lagoas, revelou o rompimento da principal artéria do corpo humano — uma condição que não admite demora, apenas ação.

Mas a cirurgia não veio quando precisava. Faltaram insumos, faltou vaga, sobraram horas de espera e desespero. Consciente, não entubada, mas com a pressão arterial perigosamente instável, Míria permaneceu na UTI enquanto a família buscava respostas na regulação estadual, em hospitais da capital e até no Ministério Público. Cada negativa era um peso a mais no coração de quem sabia que o relógio não estava do lado dela.

Somente na manhã desta terça-feira (13), às 7h55, Míria deu entrada no centro cirúrgico da Santa Casa. A cirurgia começou por volta das 9h. Havia esperança — aquela que insiste em existir mesmo quando tudo parece frágil demais. Do lado de fora, o esposo, Israel Roberto Vitalino, aguardava notícias, como quem espera um milagre.

O milagre não veio.

No início da tarde, às 15h16, Israel anunciou nas redes sociais o que ninguém queria ler: Míria não resistiu ao procedimento. A notícia se espalhou rapidamente, acompanhada de mensagens de luto, indignação e solidariedade. A mulher que, dias antes, lutava por uma vaga, agora se tornava símbolo de uma batalha perdida contra o tempo e contra as falhas de um sistema que não conseguiu alcançá-la a tempo.

Míria deixa o esposo e um filho pequeno, que completará dois anos no próximo mês — idade em que a memória ainda não guarda lembranças, mas o amor permanece. A família, que é de fora de Três Lagoas, ainda não divulgou informações sobre velório e sepultamento.

Fica o silêncio pesado da ausência, o luto de quem ficou e as perguntas que ecoam: e se a cirurgia tivesse acontecido antes? E se a vaga tivesse surgido quando ainda havia margem para a vida?

Entre a espera e o adeus, Míria partiu. E sua história permanece como um chamado urgente — por humanidade, por agilidade, por vidas que não podem esperar.

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