Montagem protagonizada pela diretora e atriz três-lagoense Déia Fernandes mergulha nas dores e resistências da experiência feminina.
Depois de passar por Três Lagoas, Brasilândia e Nova Andradina com sessões marcadas por forte emoção do público, o espetáculo “Puerpéria” chega a Campo Grande neste sábado, 29, dando sequência à circulação contemplada pela Lei Aldir Blanc. A obra, que tem lotado teatros e provocado debates importantes por onde passa, mergulha profundamente na vivência feminina e nas violências silenciosas enfrentadas por mulheres, especialmente durante o puerpério e no período pós-parto.
A criadora e protagonista, a atriz e diretora três-lagoense Déia Fernandes, celebra com o espetáculo seus 30 anos de carreira, revelando que este deve ser seu último trabalho em cena. Em entrevista à Caçula FM antes do início da turnê, ressaltou que agora deseja se dedicar integralmente à direção teatral. “Puerpéria nasceu das minhas próprias vivências como mãe e de um processo intenso de escuta com outras mulheres”, disse. Para ela, a obra funciona como um “abraço coletivo”, voltado não apenas às mães, mas a todas que enfrentam dores emocionais, sociais e simbólicas por sua condição feminina.

Nas apresentações anteriores, o público acompanhou momentos de profunda identificação. “Chegamos à terceira apresentação em uma noite emocionante, com mulheres fortes e de uma sensibilidade ímpar”, relatou a atriz em sua rede social, com agradecimentos especiais a Juliana Zampieri, Fábio Arruda, além da FUNAC, SEMEC, SEMCIAS e Prefeitura de Nova Andradina pelo apoio e acolhimento.
Um dos pilares do projeto são as rodas de escuta, realizadas antes do processo de criação e retomadas em cada município visitado. Em Campo Grande, a iniciativa será repetida, reforçando o caráter social do espetáculo e oferecendo espaço seguro para relatos de experiências muitas vezes silenciadas.
Além das quatro cidades já contempladas, Três Lagoas, Brasilândia, Nova Andradina e agora Campo Grande, a circulação segue ainda para Costa Rica neste domingo, 30, ampliando o alcance da mensagem e promovendo reflexão sobre saúde mental, maternidade e violência contra a mulher.


