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segunda-feira, 16 de fevereiro, 2026

Risco de morte fetal é 68% maior em municípios mais pobres, aponta pesquisa da Fiocruz

Estudo revela desigualdade na natimortalidade e reforça necessidade de políticas públicas específicas para regiões vulneráveis

Bebês que nascem em municípios com maior vulnerabilidade socioeconômica têm até 68% mais risco de morrer durante a gestação ou o parto, segundo estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a London School of Hygiene and Tropical Medicine, a Universidade de São Paulo (USP) e a Western University, do Canadá.

A pesquisa mostra que, entre 2000 e 2018, a taxa de natimortalidade permaneceu estável nas cidades mais carentes, enquanto caiu nos municípios com melhores condições econômicas e sociais.

ESTUDO
O levantamento, publicado na revista científica BMC Pregnancy and Childbirth, analisou registros oficiais do Ministério da Saúde e relacionou os dados ao Índice Brasileiro de Privação, que considera renda, escolaridade e condições de moradia. O objetivo foi verificar se o declínio nacional nas mortes fetais ocorreu de forma uniforme entre as diferentes regiões.

Os pesquisadores concluíram que as desigualdades internas do país têm impacto direto nas taxas de natimortalidade e indicaram a necessidade de estratégias específicas para reduzir mortes em áreas mais afetadas.

NÚMEROS
Em 2018, o Brasil registrou 28,6 mil casos de natimortalidade, o que equivale a 9,6 mortes a cada mil nascimentos. Nos municípios com melhores indicadores socioeconômicos, essa taxa foi de 7,5, enquanto nas regiões com maior privação subiu para 11,8.

De modo geral, a taxa nacional de natimortalidade caiu 30,7% entre 2000 e 2019, passando de 10,1 para 7 mortes por mil nascimentos. No entanto, o estudo aponta que essa redução foi desigual.

CAUSAS
Para a pesquisadora Enny Paixão, do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde da Fiocruz Bahia, as evidências deixam claro que “essa diferença existe e tem impacto real nas taxas de natimortalidade”.

Ela explica que fatores como falta de acesso a serviços de saúde, baixa qualidade do atendimento pré-natal e hospitalar, além da distância até unidades médicas especializadas, contribuem para o aumento do risco nas áreas mais pobres.

IMPACTO
Os pesquisadores destacam que melhorias nas políticas públicas de saúde, educação e saneamento básico ajudaram a reduzir a média nacional, mas tiveram efeito limitado em municípios mais vulneráveis.

“Essas localidades concentram populações rurais que vivem em áreas remotas, onde o acesso a serviços de saúde é difícil. Isso faz com que a atenção pré-natal e durante o parto não seja ideal”, observa Enny Paixão.

A pesquisadora reforça que investigar a natimortalidade segundo o nível de privação municipal é fundamental para orientar políticas públicas que melhorem o acesso e a qualidade da atenção perinatal nas regiões mais desassistidas.

Com informações Agência Brasil

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