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segunda-feira, 19 de janeiro, 2026

Calor extremo e fumaça de incêndios causam mais de 700 mil mortes por ano

Relatório da The Lancet alerta que 2024 foi o ano mais quente da história e destaca papel do Brasil na COP30, em Belém (PA)


O calor extremo e a fumaça dos incêndios florestais estão se tornando duas das maiores ameaças à saúde global. Segundo o relatório Contagem Regressiva em Saúde e Mudanças Climáticas, publicado pela revista The Lancet em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 546 mil pessoas morrem por ano devido às altas temperaturas e outras 154 mil perderam a vida em 2024 em razão da fumaça dos incêndios.

Elaborado por mais de 100 cientistas de diversos países, o documento foi divulgado nesta quinta-feira (24) na Inglaterra e antecipa debates da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que começa no dia 10 de novembro, em Belém (PA). O relatório faz um apelo para redução do uso de combustíveis fósseis, controle das emissões de gases de efeito estufa e adoção de políticas de adaptação que protejam as populações mais vulneráveis.

“Com os impactos das mudanças climáticas aumentando, a saúde e a vida dos 8 bilhões de habitantes do mundo estão agora em risco”, alertam os pesquisadores.

TEMPERATURAS
De acordo com o levantamento, 2024 foi o ano mais quente da história. Dos 20 indicadores que medem os riscos à saúde associados ao clima, 12 atingiram níveis sem precedentes. Entre 2020 e 2024, as pessoas foram expostas, em média, a 19 dias de calor extremo por ano, sendo que 16 desses dias não teriam ocorrido sem o aquecimento global.

BRASIL
No Brasil, os impactos são expressivos. Entre 2020 e 2024, o país registrou cerca de 7,7 mil mortes anuais relacionadas à fumaça dos incêndios florestais. Outras 3,6 mil mortes por ano foram atribuídas ao calor entre 2012 e 2021, segundo o relatório.

A população brasileira foi exposta a uma média de 15,6 dias de onda de calor por ano, e 94% deles não teriam acontecido sem a interferência climática humana. O estudo ainda destaca que 72% do território nacional experimentou ao menos um mês de seca extrema por ano entre 2020 e 2024, quase dez vezes mais do que nas décadas de 1950 e 1960.

AMÉRICA LATINA
Na América Latina, a temperatura média aumentou de forma contínua desde os anos 2000, atingindo 24,3°C em 2024, um recorde histórico. O calor já provoca 13 mil mortes anuais na região.

Mesmo diante do cenário preocupante, o relatório demonstra esperança nas negociações internacionais e ressalta que “construir um futuro resiliente exige transformar profundamente os sistemas de energia e reduzir a dependência de combustíveis fósseis”.

COP30
Com a COP30 se aproximando, o documento destaca o papel estratégico do Brasil. “O país desponta como um farol de esperança e transformação, com uma oportunidade única de liderar ações de adaptação e mitigação climática que priorizem a saúde, promovendo o desenvolvimento sustentável e o bem-estar para todos”, afirma o texto.

A publicação conclui que a adaptação às mudanças climáticas não é mais opcional, mas uma necessidade essencial e inegociável para proteger vidas, reduzir desigualdades e garantir um futuro mais seguro para as próximas gerações.

Com informações Agência Brasil

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