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segunda-feira, 21 de setembro, 2026

Comando Vermelho teria mandado matar Rapper três-lagoense

Laysa Moraes Ferreira foi jogada viva no Rio Cuiabá, amarrada a um concreto

Nove meses de mistério e dor deram lugar à confirmação: o assassinato brutal da rapper trÊs-lagoense Laysa Moraes Ferreira, de 30 anos, a La Brysa, foi um crime encomendado. A Polícia Civil de Mato Grosso (PC-MT) confirmou que a execução da artista foi ordenada por lideranças do Comando Vermelho (CV), facção criminosa que atua na região.

Segundo o delegado Edson Pick, da DHPP (Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa), a motivação para o crime seria a suspeita de que a jovem integrasse o PCC (Primeiro Comando da Capital), grupo rival. La Brysa, que era natural de Três Lagoas (MS) e se mudou para Cuiabá (MT) em busca de seu sonho nas batalhas de rima, não tinha histórico de envolvimento com o crime, conforme apurado pelo Campo Grande News.

Laysa desapareceu no dia 3 de janeiro, e seu corpo foi encontrado boiando no Rio Cuiabá seis dias depois, em um cenário de extrema crueldade. A rapper estava enrolada em uma coberta e amarrada a uma lata de concreto. A perícia indicou que a jovem foi jogada no rio ainda com vida.

“Pelas características do crime e as informações que conseguimos, tudo leva a crer que foi execução determinada por faccionados do bairro onde ela vivia”, afirmou o delegado, destacando que as lideranças do Comando Vermelho teriam “apontado” a jovem como integrante do grupo inimigo.

Apesar de confirmada a autoria e a motivação, o caso segue sem prisões e enfrenta o muro do silêncio. A investigação tem sido dificultada pelo medo e receio da comunidade em fornecer informações à polícia.

“Pouca gente conhecia Laysa, e quem poderia ajudar na investigação evita falar. As pessoas têm medo, o que deixa nossa apuração amarrada”, lamentou o delegado Pick. A quitinete onde a rapper morava chegou a ser vasculhada pela perícia, mas, sem testemunhas e sem câmeras de segurança que mostrassem seus últimos passos, a polícia admite que ainda está “no escuro em alguns pontos”, mas com suspeitos identificados.

O caso de La Brysa, que trocou Mato Grosso do Sul por Mato Grosso em busca de seu talento no rap, revela a brutalidade e a irracionalidade da guerra de facções, que vitima civis inocentes com base em simples boatos ou suspeitas infundadas.

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