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sábado, 31 de janeiro, 2026

Surto de intoxicação por metanol leva governo a criar gabinete de crise

Ministério da Saúde e MPF atuam em conjunto diante de aumento de casos e suspeita de bebidas adulteradas

Com o avanço de casos de intoxicação por metanol em diferentes regiões do país, o governo federal instaurou um gabinete de crise para monitorar a situação e coordenar uma resposta emergencial. A medida foi anunciada pelo Ministério da Saúde após a confirmação de 11 casos e 48 suspeitas, distribuídos entre São Paulo, Pernambuco e o Distrito Federal. Há ainda uma morte confirmada e outras sete em investigação.

O grupo de trabalho reúne representantes de órgãos federais, estaduais e municipais, como o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Ministério da Agricultura e Pecuária, a Anvisa, além de conselhos e secretarias de saúde. A atuação será temporária, com foco em ações rápidas para conter os riscos sanitários e acompanhar a evolução dos casos.

A presença do Ministério da Justiça se deve à suspeita de falsificação de bebidas alcoólicas, prática que é considerada crime e está no centro das investigações. O objetivo do gabinete é não apenas oferecer suporte às vítimas e orientar as unidades de saúde, mas também colaborar com a apuração das causas e punir eventuais responsáveis.

O Ministério da Saúde já orientou estados e municípios a notificarem imediatamente os casos suspeitos e distribuiu protocolos de tratamento para unidades de saúde. A intoxicação por metanol é grave e pode causar sintomas como visão turva, dificuldade respiratória, convulsões e, em casos extremos, levar à morte.

Paralelamente, o Ministério Público Federal abriu uma investigação preliminar para apurar as circunstâncias do surto. O procedimento é conduzido pela Procuradoria da República no Distrito Federal, com apoio do comitê da Procuradoria-Geral da República que atua na área de defesa do consumidor e ordem econômica. Procuradores e subprocuradores se reuniram nesta quinta-feira para discutir possíveis medidas legais, que podem incluir ofícios a autoridades ou até ações judiciais. A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão também deve entrar no debate.

Entre os óbitos em apuração, dois ocorreram em Pernambuco, nas cidades de João Alfredo e Lajedo, três na capital paulista e dois em São Bernardo do Campo. As autoridades reforçam o alerta à população sobre o consumo de bebidas de procedência duvidosa, especialmente aquelas vendidas a preços muito abaixo do valor de mercado.

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