Policial – 12/01/2013 – 14:01
A Guarda Civil Metropolitana de São Paulo, que foi criada para dar proteção aos bens, serviços e instalações municipais, teve suas funções ampliadas pelas gestões dos prefeitos José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (PSD), de 2004 a 2012, sem preparo adequado para isso.
O mesmo aconteceu em outras cidades da região metropolitana de São Paulo, como Itapecerica da Serra, onde um GCM (guarda-civil metropolitano), armado, matou um estudante de 16 anos no domingo. Em 30 das 39 cidades da região metropolitana existem Guardas Municipais, com um contingente de cerca de dez mil homens armados.
Na opinião do especialista em segurança Cláudio Edward Reis, professor da Unesp (Universidade do Estado de São Paulo), as Guardas Civis Metropolitanas não foram criadas para competir com a Polícia Militar e isso estaria acontecendo como uma forma encontrada pelos prefeitos de dar respostas imediatas aos problemas da segurança pública . “Essa militarização da Guarda Civil é muito perigosa porque eles não são treinados para isso”, afirmou. “Eles não têm preparo físico nem psicológico para atuar de forma ostensiva com uma arma na mão.”
Um GCM recebe treinamento de 600 horas (75 dias) para atuar na cidade de São Paulo. Um policial militar estuda um ano antes de ir para as ruas. O delegado aposentado Maximino Fernandes Filho, ex-comandante da GCM na gestão da prefeita Marta Suplicy (2001 a 2004), aponta uma militarização da tropa paulistana em detrimento da sua vocação original voltada para uma ação social e comunitária. O resultado estaria em ações como a ocorrida na semana passada, quando um GCM foi flagrado dando um golpe em um skatista na Praça Roosevelt.
O ex-secretário nacional de Segurança do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) José Vicente da Silva Filho discorda: “A GCM paulistana é a melhor do Brasil. Não concorre com a PM e está focada na preservação da ordem pública”.
Governo Haddad defende guarda nos parques
A suposta truculência da abordagem a moradores de rua e camelôs preocupa a gestão do recém-empossado prefeito Fernando Haddad (PT). O secretário da Segurança Urbana, Roberto Porto, quer que a GCM (Guarda Civil Metropolitana) volte a suas funções originais, com uma ação social e comunitária de prevenção à criminalidade. Para isso, a GCM deve voltar, por exemplo, aos parques da cidade.
A última administração adotou nesses lugares vigilância privada, sob alegação de que esse tipo de mão de obra seria mais barata.
Sobre a abordagem aos moradores de rua, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana de São Paulo disse em nota que a GCM atua no programa Proteção às Pessoas em Situação de Risco e realiza anualmente cerca de 80 mil abordagens a moradores de rua.
“Na nova gestão, os agentes estão sendo orientados pelo comando da corporação a realizar o procedimento, preferencialmente, com a presença de assistente social, atendendo a um protocolo de abordagem ainda em estudo pelas secretarias de Segurança Urbana e de Assistência Social”, disse a nota.
Corporação emitiu diploma a quem não fez curso
Em agosto do ano passado, guardas-civis metropolitanos de São Paulo receberam certificados de um curso, pago com recurso da Prefeitura e do governo federal, que não fizeram.
A denúncia é do Sindguardas (Sindicato dos Guardas Municipais da Cidade de São Paulo), que aponta deficiências na formação dos membros da corporação.
Os diplomas foram emitidos pelo CFSU (Centro de Formação em Segurança Urbana), da Secretaria de Segurança Urbana, a pelo menos 35 guardas e se referem a um curso de gestão de projetos de 12 horas.
A gestão do então prefeito Gilberto Kassab (PSD) pagou R$ 352 mil à empresa Lammy Sociedade Comercial por esse e outros três cursos e um workshop, todos para a GCM.
A Secretaria Municipal da Segurança Urbana disse que houve “um equívoco administrativo” ao emitir 35 certificados, correspondentes a outra turma, de um outro curso. Esses diplomas, segundo a pasta, foram cancelados e invalidados.
Angelino Venerando Filho, vice-presidente do Sindguardas, foi um dos que receberam o diploma sem ter feito o curso de qualificação. “Estava afastado por licença médica e estranhei quando chegou o diploma, reconhecido pelo Ministério da Educação”, afirmou Venerando.
Fonte: Portal Terra


