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quinta-feira, 15 de outubro, 2026

Falta de médicos e baixa cobertura vacinal desafiam a Atenção Primária no Brasil

Um levantamento divulgado nesta segunda-feira (2) pela Umane, em parceria com o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), revela que 33,9% dos médicos que atuam na Atenção Primária à Saúde (APS) deixaram seus postos entre 2022 e 2024. A rotatividade é mais acentuada em estados com menor Produto Interno Bruto (PIB) per capita, como Maranhão e Paraíba.

Já unidades federativas com maior PIB per capita, como São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal, registraram os menores índices de saída de profissionais da APS — porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) e responsável por cuidados preventivos, diagnósticos, acompanhamento de doenças crônicas e vacinação.

Marcella Abunahman, médica de família e comunidade e pesquisadora do FGVsaúde, uma das autoras do estudo, alerta para os impactos dessa instabilidade na assistência. “A rotatividade elevada quebra o vínculo entre médico, paciente e território. Isso compromete a qualidade do atendimento e exige, no mínimo, um ano para que se estabeleça uma relação efetiva entre profissional e comunidade”, afirma.

A análise utilizou dados oficiais de plataformas como Datasus, Sisab, Vigitel, Sisvan, e-Gestor AB, Ipeadata e IBGE/Sidra. Os dados foram organizados em um painel interativo no site Observatório da Saúde Pública, com o objetivo de apoiar gestores na formulação de políticas públicas mais eficazes para a APS.

Além da rotatividade, o levantamento aponta desafios como cobertura vacinal insuficiente, baixa adesão a exames preventivos e dificuldades na atenção a pacientes com doenças crônicas. A cobertura vacinal de crianças com menos de um ano, por exemplo, não atingiu a meta de 95% em nenhum estado; os melhores índices foram registrados em Alagoas e no Distrito Federal, com 87%.

No segundo quadrimestre de 2024, apenas as regiões Norte ficaram abaixo das metas de atendimento em consultas pré-natal e rastreio de câncer de mama, enquanto as demais regiões cumpriram os objetivos estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

Outro indicador preocupante é o percentual de internações por condições que poderiam ser evitadas com uma boa atuação da APS. A média nacional entre janeiro e outubro de 2024 foi de 20,6%, com Sul (17,8%), Sudeste (19,8%) e Centro-Oeste (19%) abaixo da média, enquanto Norte (23,9%) e Nordeste (22,4%) apresentaram índices superiores.

Para os autores, os dados são um retrato inicial que pode guiar decisões estratégicas no setor. “Mesmo com limitações, o painel fornece um diagnóstico valioso que pode orientar ações para fortalecer a Atenção Primária em todo o país”, afirma Pedro Ximenez, cientista de dados da FGV.

Com informações Agência Brasil

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