30.1 C
Três Lagoas
segunda-feira, 9 de fevereiro, 2026

Falta de médicos e baixa cobertura vacinal desafiam a Atenção Primária no Brasil

Um levantamento divulgado nesta segunda-feira (2) pela Umane, em parceria com o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), revela que 33,9% dos médicos que atuam na Atenção Primária à Saúde (APS) deixaram seus postos entre 2022 e 2024. A rotatividade é mais acentuada em estados com menor Produto Interno Bruto (PIB) per capita, como Maranhão e Paraíba.

Já unidades federativas com maior PIB per capita, como São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal, registraram os menores índices de saída de profissionais da APS — porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) e responsável por cuidados preventivos, diagnósticos, acompanhamento de doenças crônicas e vacinação.

Marcella Abunahman, médica de família e comunidade e pesquisadora do FGVsaúde, uma das autoras do estudo, alerta para os impactos dessa instabilidade na assistência. “A rotatividade elevada quebra o vínculo entre médico, paciente e território. Isso compromete a qualidade do atendimento e exige, no mínimo, um ano para que se estabeleça uma relação efetiva entre profissional e comunidade”, afirma.

A análise utilizou dados oficiais de plataformas como Datasus, Sisab, Vigitel, Sisvan, e-Gestor AB, Ipeadata e IBGE/Sidra. Os dados foram organizados em um painel interativo no site Observatório da Saúde Pública, com o objetivo de apoiar gestores na formulação de políticas públicas mais eficazes para a APS.

Além da rotatividade, o levantamento aponta desafios como cobertura vacinal insuficiente, baixa adesão a exames preventivos e dificuldades na atenção a pacientes com doenças crônicas. A cobertura vacinal de crianças com menos de um ano, por exemplo, não atingiu a meta de 95% em nenhum estado; os melhores índices foram registrados em Alagoas e no Distrito Federal, com 87%.

No segundo quadrimestre de 2024, apenas as regiões Norte ficaram abaixo das metas de atendimento em consultas pré-natal e rastreio de câncer de mama, enquanto as demais regiões cumpriram os objetivos estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

Outro indicador preocupante é o percentual de internações por condições que poderiam ser evitadas com uma boa atuação da APS. A média nacional entre janeiro e outubro de 2024 foi de 20,6%, com Sul (17,8%), Sudeste (19,8%) e Centro-Oeste (19%) abaixo da média, enquanto Norte (23,9%) e Nordeste (22,4%) apresentaram índices superiores.

Para os autores, os dados são um retrato inicial que pode guiar decisões estratégicas no setor. “Mesmo com limitações, o painel fornece um diagnóstico valioso que pode orientar ações para fortalecer a Atenção Primária em todo o país”, afirma Pedro Ximenez, cientista de dados da FGV.

Com informações Agência Brasil

Deu na Rádio Caçula? Fique sabendo na hora!
Siga nos no Google Notícias (clique aqui).
Quer falar com a gente? Estamos no Whatsapp (clique aqui) também.

Veja também

Circuito de Corrida de Rua “Cidade das Águas” encerra edição inédita com grande participação de atletas

Etapa final realizada no domingo percorreu as lagoas que dão nome ao município e consagrou os campeões gerais da competição A Prefeitura de Três Lagoas,...

Prefeitura de Três Lagoas executa mais de 20 km de obras de drenagem e pavimentação em diversos bairros

Intervenções da SEINTRA ao longo do último ano beneficiaram mais de uma dezena de regiões e reduziram problemas históricos de alagamentos e erosões A Prefeitura...

Prefeitura apresenta nova frota de ônibus para transporte escolar no Distrito de Arapuá

Investimento reforça segurança e qualidade no deslocamento de estudantes da zona rural de Três Lagoas A Prefeitura de Três Lagoas, por meio da gestão do...