Pela primeira vez na história, a Dívida Pública Federal (DPF) superou a marca de R$ 7,6 trilhões, conforme dados divulgados nesta quarta-feira (28) pelo Tesouro Nacional. O estoque da dívida subiu 1,44% em abril, passando de R$ 7,508 trilhões para R$ 7,617 trilhões, impulsionado principalmente pelos juros elevados.
A alta é atribuída à apropriação de R$ 70,3 bilhões em juros, reflexo da taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano. Apesar do novo recorde, a dívida ainda está abaixo da meta estabelecida pelo Plano Anual de Financiamento (PAF), que projeta um volume entre R$ 8,1 trilhões e R$ 8,5 trilhões até o fim de 2025.
Emissões e resgates
A Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi) cresceu 1,55%, alcançando R$ 7,31 trilhões. Em abril, o Tesouro emitiu R$ 204,46 bilhões em títulos e resgatou R$ 163,04 bilhões, com destaque para papéis atrelados à inflação.
Já a Dívida Pública Federal externa (DPFe) teve queda de 1,1%, totalizando R$ 306,13 bilhões, influenciada pela valorização do real frente ao dólar.
Colchão financeiro
O colchão da dívida pública, reserva usada em momentos de instabilidade, cresceu e atingiu R$ 904 bilhões, o maior nível desde agosto. A reserva atual cobre cerca de 8,5 meses de vencimentos, frente a R$ 1,365 trilhão previsto para os próximos 12 meses.
Composição da dívida
A composição dos papéis também mudou:
- Prefixados: caíram de 21,51% para 20,23%, por conta de vencimentos elevados;
- Atrelados à Selic: subiram para 47,3%, devido à atratividade da taxa básica de juros;
- Corrigidos pela inflação: passaram de 28,01% para 28,46%;
- Atrelados ao câmbio: recuaram de 4,11% para 4,01%.
Prazo e investidores
O prazo médio da dívida aumentou de 4,12 para 4,17 anos, indicando maior confiança dos investidores na capacidade de pagamento do governo.
As instituições financeiras seguem como os principais detentores da dívida interna (30,5%), seguidas por fundos de pensão (23,9%) e fundos de investimento (22,1%). A participação de investidores estrangeiros teve leve alta, de 9,6% para 9,7%.
A dívida pública é a principal forma de financiamento do governo federal, que capta recursos com investidores mediante o compromisso de devolução futura com correções atreladas a juros, inflação ou câmbio.
Com informações Agência Brasil


