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Cumbica pode ficar sem água, com novo terminal

Geral – 30/01/2012 – 12:01

Com a construção de um terceiro terminal, a saída para que o Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, não tenha uma crise de abastecimento de água a médio/longo prazo pode ser reutilizar água do esgoto e da chuva. O aeroporto depende totalmente de água subterrânea. A velocidade da recarga natural do aquífero, entretanto, é menor do que será a demanda. “Se nada for feito, o aeroporto terá problemas sérios de abastecimento”, diz o diretor do Centro Internacional de Referência em Reúso de Água (Cirra), professor Ivanildo Hespanhol.

Hespanhol coordena o estudo Uso e Conservação de Água em Aeroportos, financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos Finep. A pesquisa tem como objetivo reutilizar água das pistas do aeroporto de Guarulhos, telhados e esgoto para fins não potáveis, como lavagem de aeronaves, irrigação de área verde e torre de resfriamento. Caso os resultados sejam positivos, a intenção é implantar o sistema em outros aeroportos controlados pela Empresa Brasileira de Serviços Aeroportuários, a Infraero.

Para se ter uma ideia da economia de água que o sistema pode promover, Hespanhol conta que um projeto feito para uma metalúrgica localizada no interior do Estado de São Paulo permitiu uma redução de 87% no consumo de água da empresa. “Uma economia dessas proporções para um aeroporto que recebe cerca de 12 milhões de pessoas por ano é essencial.” O Aeroporto Internacional de Guarulhos é considerado o maior da América do Sul e tem capacidade para atender 17 milhões de passageiros por ano. Com a construção do terceiro terminal, a expectativa é elevar sua capacidade para 29 milhões de usuários.

Além disso, caso o volume de água existente nos poços artesianos caia de maneira drástica, o aeroporto pode ter sua estrutura física abalada. Segundo Hespanhol, quando o aquífero perde muita água, a superfície começa a perder a sustentação e pode afundar.

O estudo tem como base a análise de quatro unidades piloto, que estão testando técnicas de reúso diferentes. A primeira delas é justamente para tentar resolver a questão do nível de água no aquífero. A intenção é recarrega-lo com a água coletada pelos outros sistemas testados pelo Cirra.

A segunda frente de estudo tenta encontrar maneiras de reutilizar águas pluviais provenientes dos edifícios do aeroporto. O objetivo é criar um sistema que permita coletar, tratar e distribuir a água que cai dos telhados do aeroporto. Antes disso, é necessário avaliar as condições e os tipos de substâncias encontradas nesses locais.

Outra unidade de pesquisa é responsável pelo reúso de água da chuva que fica nas pistas, projeto considerado pioneiro. Hespanhol afirma que é um processo complicado porque a água desses locais contém resíduos bastante específicos, como combustíveis e borracha, e terá de passar por um tratamento diferente dos convencionais. O último estudo visa a depuração do esgoto. Atualmente, o aeroporto já trata o próprio esgoto, mas não a ponto de poder reutilizar a água em seus processos.

Fonte: Terra

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