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segunda-feira, 16 de fevereiro, 2026

Inovadora técnica robótica no tratamento de prolapso uterino mostra resultados promissores

Pesquisadores do Hospital Universitário de Bonn, na Alemanha, desenvolveram uma técnica inovadora para o tratamento do prolapso uterino, uma condição que ocorre quando o útero se desloca em direção à vagina. A abordagem combina o uso do sistema robótico Da Vinci com o tendão semitendinoso, uma estrutura muscular comum em procedimentos ortopédicos. O estudo-piloto, publicado no International Urogynecology Journal, demonstrou segurança, eficácia e uma redução significativa dos sintomas nas pacientes tratadas.

O sistema Da Vinci, utilizado na cirurgia, permite que o cirurgião opere a partir de uma console, com os braços robóticos executando movimentos precisos. Equipados com instrumentos miniaturizados, os braços do robô possibilitam uma abordagem minimamente invasiva, com imagens 3D de alta definição, que proporcionam ao cirurgião maior precisão nas intervenções. Inicialmente usado para endometriose, miomectomia e histerectomia, o Da Vinci agora se destaca também no tratamento de prolapso uterino.

A grande inovação do estudo é a introdução do tendão semitendinoso, que é comum em cirurgias ortopédicas devido à sua rápida regeneração, mas que foi adaptado para a ginecologia. O uso do robô aumenta a precisão nas áreas mais delicadas, como a dissecção nervosa no ligamento longitudinal anterior, região da púbis, e a manipulação do tendão para sustentar os órgãos pélvicos.

Dominique Könsgen-Mustea, chefe da Divisão de Uroginecologia no Hospital Universitário de Bonn, destaca que a alta ampliação das imagens 3D oferecidas pelo robô permite maior exatidão nas cirurgias, resultando em menos invasão e menores chances de sangramentos. Para ele, o uso do tendão semitendinoso facilita a absorção pelo organismo, diminuindo as chances de rejeição.

Resultados positivos foram observados entre junho de 2022 e fevereiro de 2023, quando 10 pacientes com prolapso apical avançado, que não responderam a tratamentos convencionais, foram submetidas à nova abordagem. Após 12 meses, as pacientes não apresentaram complicações graves e relataram uma melhora significativa nos sintomas, principalmente no que diz respeito à função da bexiga. Cerca de 90% das participantes ficaram satisfeitas com a melhoria na qualidade de vida. A técnica foi especialmente eficaz em pacientes obesas ou com bridas abdominais, condições que dificultam intervenções convencionais.

Segundo Leonardo Campbell, especialista em robótica aplicada à ginecologia, o uso de uma estrutura autóloga (tendão da própria paciente) reduz a chance de rejeição, aumentando as possibilidades de sucesso. A cirurgia robótica também oferece uma redução significativa no tempo de internação, com média de apenas cinco dias, e diminui as complicações pós-operatórias.

Com relação ao uso do tendão semitendinoso como enxerto, a pesquisa mostra que ele apresenta uma regeneração de até 72% em dois anos, minimizando os riscos a longo prazo, o que torna esse método superior aos tradicionais enxertos de fáscia abdominal ou sintéticos, que apresentam taxas de rejeição de até 41%. Além disso, a combinação da robótica com a precisão nas etapas delicadas da cirurgia torna o procedimento mais eficaz e seguro.

Apesar dos avanços, os pesquisadores apontam que o estudo-piloto, realizado com 10 pacientes, ainda é limitado e mais pesquisas são necessárias para validar amplamente a técnica. As equipes científicas buscam refinar o procedimento e realizar estudos multicêntricos para torná-lo mais acessível e eficaz em uma população maior. Contudo, um dos desafios principais é o custo elevado da cirurgia robótica, o que pode limitar o acesso à tecnologia.

O neuropsicólogo Deibson Silva, da Faculdade de Medicina da USP, elogia os resultados da pesquisa e destaca o potencial para que a medicina evolua para tratamentos que priorizem a qualidade de vida e a redução de riscos, beneficiando pacientes ao redor do mundo nas próximas décadas.

A aplicação da robótica na cirurgia de prolapso uterino é um passo importante na medicina moderna, e especialistas acreditam que, com o tempo, esses avanços poderão se tornar mais acessíveis, impactando positivamente o tratamento da condição e oferecendo uma alternativa mais segura e eficiente para muitas pacientes.

Com informações Correio Braziliense

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