A Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) se posicionou contra a proposta de permitir a venda de medicamentos isentos de prescrição (MIPs) em supermercados. A ideia, defendida pela Associação Brasileira dos Supermercados (Abras), surge como parte das sugestões enviadas ao governo federal, que busca adotar medidas para combater a inflação no setor alimentício. A liberação da venda de MIPs foi mencionada por representantes da indústria e do varejo como uma maneira de aliviar pressões sobre os preços.
A associação alerta que a medida teria um impacto negativo para o setor farmacêutico, especialmente em relação à receita gerada pela venda dos MIPs. Segundo a entidade, esses medicamentos representam cerca de 30% das vendas das farmácias no Brasil. Para a associação, a introdução desses produtos nos supermercados poderia desestruturar a economia do setor e prejudicar a sustentabilidade das farmácias, que desempenham papel fundamental na saúde pública.
Em nota, Sérgio Mena Barreto, CEO da Abrafarma, destacou os riscos econômicos da proposta, afirmando que a aprovação da medida seria um golpe fatal para a categoria. “Aprovar MIPs em supermercados é ferir de morte todo um contingente de famílias e colocar o equilíbrio econômico de um setor que funciona bem e é muito respeitado em todo o mundo, em risco”, afirmou Barreto. A crítica aponta para a necessidade de uma avaliação mais cuidadosa dos impactos dessa mudança.
A Abras, por sua vez, argumenta que a proposta visa reduzir custos para os consumidores, especialmente em um momento de altas pressões inflacionárias no país. Para a associação dos supermercados, permitir a venda de MIPs nos estabelecimentos faria com que os preços dos medicamentos ficassem mais acessíveis e ajudaria na redução da inflação alimentar. Contudo, a proposta tem gerado intensos debates entre diferentes setores da economia.
Diante dos argumentos apresentados, o governo federal ainda não se posicionou de forma definitiva sobre o futuro da proposta. O debate continua aceso, com opiniões divergentes sobre os efeitos da medida na economia nacional e no setor farmacêutico. A Abrafarma segue trabalhando para evitar que a liberação dos MIPs em supermercados se concretize, enquanto a Abras reforça sua defesa em busca de uma solução para a crise inflacionária.


