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Zona do euro permanece numa encruzilhada, diz economista

Geral – 14/08/2012 – 17:08

O resultado do PIB na zona do euro no segundo trimestre deste ano, com queda de 0,2%, mostrou que a região continua muito fraca mas, principalmente, revelou que os 17 países que compõem o grupo vivem hoje em desigualdade preocupante.

Ser desigual entre grandes não deve ser confortável e, na opinião do economista Mauro Schneider, da corretora Banif, pode dificultar uma saída consensual para a crise. Entre Alemanha e Espanha, por exemplo, o abismo se aprofunda. A economia alemã se mantém no azul: cresceu 0,3% no segundo trimestre deste ano, enquanto a espanhola está em franca recessão, com queda de 0,4% no mesmo período.

“Os dados do segundo trimestre da zona do euro mostram que a região permanece numa encruzilhada. Para efeito da aproximação de diagnósticos e agilização de medidas, reformas e integração, melhor seria que todos se sentissem no mesmo barco. Na medida em que a Alemanha segue crescendo, como se tivesse conseguido se proteger da crise, as chances de haver uma convergência política na região, que já são pequenas, parecem ser cada vez menores”, diz Mauro Schneider.

Os investidores estrangeiros andam se contentando com pouco, e aos poucos. As bolsas europeias fecharam em alta, alegrinhas com os números do PIB alemão, acima do esperado pelo mercado. O resultado das vendas no varejo dos EUA, que subiram 0,8% em julho, muito acima das expectativas, também contribuíram para clima mais positivo nesta terça-feira (14). Mas não se animem, ela foi pontual.

“Há um consenso ainda muito sólido de pouca perspectiva de mudança no curto prazo. Não há sinais de convergência de ações. Os caminhos alternativos de solidificação da zona do euro, como a produtividade, por exemplo, são muito lentos”, explica Schneider.

A desigualdade entre os europeus está ainda mais acentuada quando se vê o desemprego na região. A Espanha vive o pior drama, com quase 25% da população sem trabalho no país. Na Alemanha, acontece o contrário, onde se vive uma mínima histórica de desemprego. Nós aqui no Brasil experimentamos essa situação inédita e histórica, com desemprego abaixo de 6%.

Mais do que o resultado do PIB, para os líderes da região, e principalmente para o BC da Europa, o desemprego é mais relevante. Tanto quanto a condição de solvência dos países em crise aguda, vendendo títulos públicos a preços altíssimos e insustentáveis.

“O indicador chave que incomoda, que preocupa governos e gestores de política monetária, é o desemprego. Ele é a tradução mais pura do drama econômico-social e dos problemas da região”, diz o economista da Banif.

Fonte: G1/Thais Herédia

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