Geral – 09/07/2012 – 09:07
Gato, cachorro, papagaio… Quando alguém fala em animais domésticos sempre vem esta lista à cabeça, de forma errada. E foi a iniciativa de retirar do vocabulário da população a ideia de domesticação do papagaio que foi selecionada pelo E-Cons (Empreendedores da Conservação), um projeto do HSBC, a zootecnista Gláucia Helena Fernandes Seixas para receber um investimento no projeto “papagaio-verdadeiro”, representando do Bioma Pantanal.
Gláucia diz que sua experiência trabalhando no Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) fez com que ela tivesse interesse na preservação da espécie de papagaio-verdadeiro, um projeto que é desenvolvido há 15 anos.
“Eu via a quantidade de pássaros da espécie que era traficada todos os anos e a preocupação foi crescente porque não é um animal que está na lista de espécies ameaçadas de extinção”, conta.
O projeto faz parte da Ong Neotrópica Brasil, sediada em Bonito, Mato Grosso do Sul, que existe há 18 anos e também é coordenado por Gláucia, com projetos de conservação da natureza na região do Parque Nacional da Serra da Bodoquena.
Ela explica que o fato do papagaio ser o mais falante entre todas as espécies do país o torna alvo fácil de contrabandistas e alerta. “Conheço gente muito bem informada que diz que o papagaio é o animal que mais interage com o ser humano porque fala. Mas ele não fala, ele repete o que a gente diz sem ter a menor ideia do que está reproduzindo”.
A vontade agora é desenvolver a logomarca defendendo que o animal fique na natureza. “Com o recurso, de cerca de R$ 3 milhões, vamos ampliar o desenvolvimento de conscientização das pessoas que moram próximas aos ninhos, explicando que não há lugar melhor para o animal do que a natureza”.
Com as crianças, a força do projeto está em ensinar como vive o pássaro e levantar a bandeira da logomarca, mostrando o papagaio-verdadeiro como um animal selvagem que precisa ficar no seu habitat e não na casa de alguém.
De acordo com pesquisas da Ong, em 2008 cerca de 800 filhotes foram apreendidos e levados para o Cras (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres) em Campo Grande.
“A gente imagina que este número seja bem maior. Como na fronteira, quando apreendem droga, é sinal de que muito mais está entrando e saindo do país”, compara.
A cada dez papagaios retirados da natureza, apenas um sobrevive
O maior mercado ilegal desse tipo de animal continua sendo o Brasil. Grandes centros como Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte são os grandes compradores e outra parte vai para o exterior.
Cada fêmea tem de três a quatro papagaios por ninhada e dados do projeto revelam que de cada dez papagaios retirados do ninho, apenas um sobrevive.
“É muito importante mostrar isso para as pessoas. Para ela ter o papagaio ilegal dela, nove morreram, é muito triste”, diz Gláucia.
Para ficar mais fácil para vender no mercado negro, a maioria é retirada bem cedo do ninho. Muitos deles, por serem contrabandeados, são transportados em pneus, tubulações de água, caixas fechadas, fazendo com que a mortalidade seja alta.
“E a reabilitação de um papagaio pequeno pode demorar até oito meses no Cras. Isso quando se pode recolocar o animal na natureza. Muitas vezes, ele nunca mais volta a ter os extintos aguçados para ser devolvido. Daí a importância em gostar do animal onde ele está e não retirá-lo de lá”, finaliza.
Fonte: Agência Brasil


