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PF prende ex-cunhado de Cachoeira por ameaças contra procuradora

Geral – 06/07/2012 – 16:07

O ex-cunhado de Carlinhos Cachoeira, Adriano Aprígio de Souza, foi preso na manhã desta sexta-feira em sua casa, em Anápolis (GO). De acordo com Raul Alexandre Marques de Souza, delegado da Polícia Federal responsável pelas investigações das ameaças feitas contra a procuradora Léa Batista Oliveira, fortes indícios apontam Adriano como autor de um dos e-mails enviados à Léa, que atuou na Operação Monte Carlo.

O ex-cunhado de Cachoeira teve o mandado de prisão preventiva expedido pela 11ª Vara de Justiça Federal de Goiânia (GO). Segundo as investigações, ao menos um dos três e-mails recebidos pela procuradora foi enviado da residência de Adriano. Também foi cumprido um mandado de busca e apreensão para equipamentos de mídia e computadores.

Os e-mails com ameaças contra a atuação da procuradora foram enviados em meados de junho, de acordo com o delegado. O que teria sido escrito por Adriano, especificamente, reclamava que Léa estava sendo muito dura com a família de Cachoeira. A PF afirmou que as outras mensagens foram enviadas de outros dois IPs (espécie de impressão digital de computadores) e, por isso, a investigação continua. “Estamos procurando identificar os demais remetentes dos e-mails. As investigações conduziram a identificação de pelo menos um deles, que seria o Adriano”, disse o delegado.

As outras duas mensagens traziam um conteúdo mais direto, usando inclusive palavras de baixo calão contra a procuradora. Como o e-mail que teria sido enviado pelo ex-cunhado de Cachoeira é mais “leve” em comparação com os outros, o delegado explicou que as acusações de ameaças se baseiam também em uma tentativa de invasão ao prédio onde Léa mora por uma pessoa não identificada – fato que também está sendo investigado. “A interpretação desse e-mail tem que ser feita em um contexto mais amplo, de outros e-mails que foram enviados e da tentativa de ingresso ao prédio onde a procuradora mora.”

“A PF repudia qualquer ato de ameaça, coação ou intimidação a membros da polícia e judiciário”, disse Raul, que espera que as ameaças cessem com a prisão dos suspeitos. O delegado afirmou que uma perícia no computador apreendido e em outras mídias apontará se Adriano é realmente o autor das mensagens. Se for confirmado, ele pode responder pelos crimes de ameaça, coação no curso do processo e injúria.

Adriano foi indiciado na Operação Monte Carlo pela prática dos crimes de quadrilha e de “lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores. Segundo as apurações, ele “testa-de-ferro” de Cachoeira na prática dos crimes, tendo disponibilizado o seu nome para ocultar o real patrimônio ilícito do contraventor. Na época, ele chegou a ser preso.

Carlinhos Cachoeira

Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.

Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram contatos entre Cachoeira e o senador democrata Demóstenes Torres (GO). Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais.

Nos dias seguintes, reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo afirmaram, respectivamente, que o grupo de Cachoeira forneceu telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, e que o senador pediu ao empresário que lhe emprestasse R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo. Na conversa, o democrata ainda vazou informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes.

Pressionado, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado em 27 de março. No dia seguinte, o Psol representou contra o parlamentar no Conselho de Ética e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou a quebra de seu sigilo bancário.

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido havia decidido abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda, encerrando a investigação interna. Mas as denúncias só aumentaram e começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas.

Após a publicação de suspeitas de que a construtora Delta, maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos, faça parte do esquema de Cachoeira, a empresa anunciou a demissão de um funcionário e uma auditoria. O vazamento das conversas apontam encontros de Cachoeira também com os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás. Em 19 de abril, o Congresso criou a CPI mista do Cachoeira.

Fonte: Terra/NG

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