Geral – 06/07/2012 – 09:07
O pão francês deve ficar 5% mais caro até o final de julho. É o que prevê o Sindicato e Associação de Panificiadores (Sindipan) de São Paulo e de outros quatro estados do Nordeste. O motivo é o aumento do preço da farinha de trigo, em grande parte importada e cujo encarecimento se deu devido à alta do dólar. A diminuição na oferta de trigo da Argentina, principal fornecedor para o Brasil, e a valorização do cereal no mercado estrangeiro também são fontes de aumento.
O impacto ocorre porque o Brasil não é autossuficiente na matéria-prima. Segundo a Emater-RS, das 11 milhões de toneladas de trigo que o País consome, metade é importada. Luiz Ataídes Jacobsen, assistente técnico da empresa, explica que, tendo em vista que o país importa o cereal, há uma relação comercial com o mercado estrangeiro que deixa o Brasil sensível à oscilação externa.
Se em junho a indústria brasileira desembolsou mais 10% para produzir alimentos derivados do trigo, no próximo mês a previsão é de que isso aumente. Até o fim de julho, a farinha deve encarecer em mais 10%, segundo José Antoniazzi, presidente do Sindicato das Indústrias do Trigo (Sinditrigo-RS). O reajuste não é totalmente repassado aos produtos finais porque há outros ingredientes na receita. No entanto, do custo total, 80% nas massas e 60% nos biscoitos se refere à farinha.
Antoniazzi aponta ainda que, no Rio Grande do Sul, principal estado produtor de trigo no país, a política de manutenção do preço mínimo capitaneada pelo governo, criada para proteger o triticultor caso não o mercado não consuma toda a produção, acabou incidindo no cereal. Ao incentivar a venda da commodity para o exterior, houve diminuição da oferta nacional e ação da lei da oferta e da procura em uma maior demanda estrangeira – o que aumentou ainda mais o preço do importado. De acordo com Jacobsen, a região Sul concentra 94% da produção de trigo no Brasil.
O impacto no valor do pãozinho, no entanto, não vai ser completo. “Calculamos que, a cada vez em que há 20% de aumento no preço da farinha de trigo, o reflexo seja de 5% no preço do pão”, afirma o presidente da Sinditrigo-RS. Entretanto, apesar da mudança, ele não acredita que o país passe a importar menos. “Desabastecimento não vai ocorrer. Só vai acontecer o repasse de custo”, explica.
Padarias esperam estabilidade no preço
Antero José Pereira, presidente do Sindipan-SP, entidade que representa as padarias do estado, afirma que o aumento em 5% no pãozinho não se deve apenas à variação do dólar, mas também a custos de mão de obra e de produção – que não dependem do valor da farinha de trigo. Independentemente da variação na matéria-prima, ele diz que o comércio precisaria reajustar o preço do pãozinho.
Apenas em maio, primeiro mês no qual foram observadas as consequências da alta do dólar, o quilo subiu para R$ 6,75 – aumento de dez centavos ou cerca de 0,5%. Nas 28 mil padarias do estado, a média do preço do quilo pão em abril era de R$ 7,63. Hoje, já está por volta de R$ 7,71. Caso a moeda se mantenha no patamar dos R$ 2, ele afirma que as padarias aguardam estabilidade na matéria-prima.
No entanto, isso não é garantido pelo presidente do Sindicato das Indústrias de Massas Alimentícias e Biscoitos (Sindimassas-CE) e do Sinditrigo do Pará, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, Luiz Eugênio Pontes. Também diretor-corporativo da empresa de massas e biscoitos M. Dias Branco – fabricante dos produtos Isabela e Adria -, ele afirma que, se o dólar continuar no patamar dos R$ 2, será necessário reajustar o valor de pães, massas e biscoitos.
Ele ressalta a importância da mudança do preço do trigo na hora de as indústrias calcularem o valor final dos produtos: nas últimas semanas, houve variação de 14% na commodity – à parte da influência do dólar. Pontes não aponta com certeza em quanto será o aumento dos alimentos se a moeda americana não retroceder. Mas em maio, quando houve a primeira mudança, biscoitos e massas da M. Dias Branco ficaram 6% mais caros. Para julho, há apenas uma certeza. “Estamos aguardando uma semana para ver se vamos ter uma boa notícia. Se o dólar não baixar, vamos precisar fazer o reajuste”, sentencia.
Fonte: Bol


