33.1 C
Três Lagoas
sexta-feira, 25 de setembro, 2026

Aumento do dólar eleva preço do pãozinho

Geral – 06/07/2012 – 09:07

O pão francês deve ficar 5% mais caro até o final de julho. É o que prevê o Sindicato e Associação de Panificiadores (Sindipan) de São Paulo e de outros quatro estados do Nordeste. O motivo é o aumento do preço da farinha de trigo, em grande parte importada e cujo encarecimento se deu devido à alta do dólar. A diminuição na oferta de trigo da Argentina, principal fornecedor para o Brasil, e a valorização do cereal no mercado estrangeiro também são fontes de aumento.

O impacto ocorre porque o Brasil não é autossuficiente na matéria-prima. Segundo a Emater-RS, das 11 milhões de toneladas de trigo que o País consome, metade é importada. Luiz Ataídes Jacobsen, assistente técnico da empresa, explica que, tendo em vista que o país importa o cereal, há uma relação comercial com o mercado estrangeiro que deixa o Brasil sensível à oscilação externa.

Se em junho a indústria brasileira desembolsou mais 10% para produzir alimentos derivados do trigo, no próximo mês a previsão é de que isso aumente. Até o fim de julho, a farinha deve encarecer em mais 10%, segundo José Antoniazzi, presidente do Sindicato das Indústrias do Trigo (Sinditrigo-RS). O reajuste não é totalmente repassado aos produtos finais porque há outros ingredientes na receita. No entanto, do custo total, 80% nas massas e 60% nos biscoitos se refere à farinha.

Antoniazzi aponta ainda que, no Rio Grande do Sul, principal estado produtor de trigo no país, a política de manutenção do preço mínimo capitaneada pelo governo, criada para proteger o triticultor caso não o mercado não consuma toda a produção, acabou incidindo no cereal. Ao incentivar a venda da commodity para o exterior, houve diminuição da oferta nacional e ação da lei da oferta e da procura em uma maior demanda estrangeira – o que aumentou ainda mais o preço do importado. De acordo com Jacobsen, a região Sul concentra 94% da produção de trigo no Brasil.

O impacto no valor do pãozinho, no entanto, não vai ser completo. “Calculamos que, a cada vez em que há 20% de aumento no preço da farinha de trigo, o reflexo seja de 5% no preço do pão”, afirma o presidente da Sinditrigo-RS. Entretanto, apesar da mudança, ele não acredita que o país passe a importar menos. “Desabastecimento não vai ocorrer. Só vai acontecer o repasse de custo”, explica.

Padarias esperam estabilidade no preço

Antero José Pereira, presidente do Sindipan-SP, entidade que representa as padarias do estado, afirma que o aumento em 5% no pãozinho não se deve apenas à variação do dólar, mas também a custos de mão de obra e de produção – que não dependem do valor da farinha de trigo. Independentemente da variação na matéria-prima, ele diz que o comércio precisaria reajustar o preço do pãozinho.

Apenas em maio, primeiro mês no qual foram observadas as consequências da alta do dólar, o quilo subiu para R$ 6,75 – aumento de dez centavos ou cerca de 0,5%. Nas 28 mil padarias do estado, a média do preço do quilo pão em abril era de R$ 7,63. Hoje, já está por volta de R$ 7,71. Caso a moeda se mantenha no patamar dos R$ 2, ele afirma que as padarias aguardam estabilidade na matéria-prima.

No entanto, isso não é garantido pelo presidente do Sindicato das Indústrias de Massas Alimentícias e Biscoitos (Sindimassas-CE) e do Sinditrigo do Pará, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, Luiz Eugênio Pontes. Também diretor-corporativo da empresa de massas e biscoitos M. Dias Branco – fabricante dos produtos Isabela e Adria -, ele afirma que, se o dólar continuar no patamar dos R$ 2, será necessário reajustar o valor de pães, massas e biscoitos.

Ele ressalta a importância da mudança do preço do trigo na hora de as indústrias calcularem o valor final dos produtos: nas últimas semanas, houve variação de 14% na commodity – à parte da influência do dólar. Pontes não aponta com certeza em quanto será o aumento dos alimentos se a moeda americana não retroceder. Mas em maio, quando houve a primeira mudança, biscoitos e massas da M. Dias Branco ficaram 6% mais caros. Para julho, há apenas uma certeza. “Estamos aguardando uma semana para ver se vamos ter uma boa notícia. Se o dólar não baixar, vamos precisar fazer o reajuste”, sentencia.

Fonte: Bol

Deu na Rádio Caçula? Fique sabendo na hora!
Siga nos no Google Notícias (clique aqui).
Quer falar com a gente? Estamos no Whatsapp (clique aqui) também.

Veja também

Três Lagoas lidera ranking nacional e coloca MS entre os maiores produtores de silvicultura do país

Município movimentou R$ 1,83 bilhão em 2025, enquanto Mato Grosso do Sul alcançou R$ 5,62 bilhões e avançou para a terceira posição entre os...

Mais de 6 mil famílias de Três Lagoas podem ter direito a desconto na conta de luz

Neoenergia Elektro aponta 6.107 famílias no município que podem se enquadrar na Tarifa Social, onde mutirão de atualização cadastral acontece no CRAS Ruth

Homem surge ensanguentado na madrugada e pede socorro em residência no Jardim Eldorado

Vítima de 29 anos apareceu ferida e com intenso sangramento no Jardim Eldorado, onde polícia descobriu que ele era evadido do regime semiaberto
error: Conteúdo Protegido