Geral – 05/07/2012 – 14:07
Uma reunião de traficantes e bandidos na noite de terça-feira (3), em uma “boca de fumo” localizada na rua Ubirajara Guarani, bairro Cidade Morena, em Campo Grande, regada a muito consumo de droga e bebida alcoólica e com a intenção de discutir o roubo planejado desde o início da semana, culminou na execução do casal Alberto Raghiant, 55 anos e Luzia Barbosa Damascena Costa, 25 anos.
A informação é do assassino confesso Neidinaldo Nascimento da Silva, 27 anos, vulgo “nhonho”, além do traficante Marcelo Araújo dos Santos, 21 anos, vulgo “Marcelinho”, presos pelos policiais da 4ª D.P. (Delegacia de Polícia) e o Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos, Assaltos a Bancos e Sequestros).
Ao chegar ao local, poucas horas após o crime, os policiais fizeram uma varredura na casa e encontraram o celular de uma das vítimas com Neidinaldo, que estava dormindo quando foi preso, além da arma no forro da casa, documentos de Alberto e uma munição escondidas em uma fossa, petrechos para o preparo da droga, dinheiro proveniente do Tráfico de Drogas, mais de 30 papelotes de cocaína e até o celular em que o assassino se comunicou com o restante dos bandidos durante o crime.
E foi com a prisão de Neidinaldo e as investigações que a Polícia Civil começou a desvendar o crime. “O mentor intelectual, ou seja, a pessoa que planejou detalhes do crime está foragida. Esse bandido chamou o Gleisson Barros da Silva, 27 anos, vulgo “blade ou Paraná”, para cometer o crime, além dos comparsas Neidinaldo, Jueilton Aparecido Gonçalves, 20 anos, vulgo “negão”, que veio diretamente de Nova Alvorada para cometer o crime e Sidney Portilho da Silva, 29 anos, que emprestou o carro para o bando no momento da fuga”, afirma o delegado João Paulo Natali Sartori.
”Com muita droga na cabeça”, assim como falou o assassino, eles saíram ao encontro das vítimas. Ao encontrar o casal namorando nas proximidades do Morenão, eles foram abordados. Luzia, que é acadêmica de História, estava a passeio na Capital e havia acabado de deixar uma amiga naquele local. Ela escapou por instantes, já que logo em seguida os bandidos chegaram.
Armados com um revólver 38, Neidinaldo e Gleisson abordaram o casal e entraram no veículo, um Azera preto , enquanto os outros continuaram no veículo Corsa branco. “Nós pegamos o ‘negão’ na rodoviária (polícia encontrou passagem em nome de Gleisson às 16h13 do dia 3 de julho) e em seguida passamos na casa do Gleisson e o deixamos lá. Durante o trajeto, ele chegou a dar um tapa em Luzia e também na hora em que desceu do carro, ele falou para matar o casal. Sidney me acompanhou até a avenida Três Barras e disse que ia deixar o carro para concluirmos a ‘fita’, indo embora a pé”, fala o assassino.
Neidinaldo conta que um dos comparsas teria fugido com o carro para atravessar a fronteira e o vender no Paraguai. Como recompensa pelo crime bárbaro, Neidinaldo conta que cada um dos bandidos receberia R$ 400. “Não era para matar, mas recebi ordens e no auge da droga matei o homem e depois a mulher”, justifica tranquilamente.
Questionado se as vítimas pediram para não serem mortas, Neidinaldo conta que ambas permaneceram o tempo todo caladas. “Estou arrependido, mas o remorso só veio agora”, disse o assassino. Já Marcelo afirma que “perdeu o rumo da vida” depois que o irmão foi morto. “Depois que perdi o meu irmão eu comecei a usar drogas, entrei no mundo do crime e iria até servir ao exército” fala o bandido.
Com relação ao carro, a Polícia Civil trabalha com hipóteses, mas acredita que o Azera não tenha atravessado a fronteira. “No mesmo dia do crime pedimos para fechar todas as barreiras, entrando em contato com a PRF (Polícia Rodoviária Federal) e a Defurv (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos). Todos informaram que o carro não tinha passado pela fronteira e agora estamos investigando”, explica o delegado Devair Francisco, titular da 4ª D.P.
De acordo com a participação, os bandidos responderão por duplo latrocíno, formação de quadrilha, porte de arma, tráfico de drogas e associação para o tráfico.
Fonte: Graziela Rezende


