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Três Lagoas
sábado, 21 de março, 2026

Petrobras não tem plano caso russos não comprem UFN3

Três Lagoas (MS) A Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3) tinha tudo para ter um novo capítulo a partir do contrato firmado mês passado para que o grupo russo Acron assumisse a planta. A invasão da Rússia à Ucrânia, porém, trouxe novas incertezas acerca da retomada da fábrica de Três Lagoas.

De acordo com a gestão estadual, caso os russos desistam do negócio – o que é uma possibilidade já levantada pelo mercado –, a planta voltará à estaca zero. Por enquanto, não há outro player interessado em assumir o negócio.

Na semana passada, durante coletiva de imprensa, o governador Reinaldo Azambuja afirmou que não há outro planejamento, a não ser a venda da unidade fabril para a Acron.

O titular da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, confirmou a falta de um plano B.

“A Petrobras neste momento não tem plano B, é só o plano da Acron, mas a gente gostaria, caso eles venham a desistir, de buscar uma alternativa para que essa indústria daqui a pouco não vire uma sucata. É nesse sentido que ele [governador] colocou que não tem um plano B”.

A estrutura segue abandonada desde 2014 e, apesar de ter 81% das obras concluídas, a planta segue se deteriorando com os efeitos do tempo.

Ainda de acordo com o secretário, a UFN3 é muito importante para o País e precisa ser retomada independentemente de quem assuma o negócio.

“Essa indústria é tão estratégica para o País que caso venha a ter alguma sinalização da Acron, por algum motivo de ter a desistência, o Brasil tem de olhar essa indústria”.

“É tão estratégico que alguém tem de assumir, ou uma indústria nacional ou uma empresa, o Brasil tem de ter um posicionamento forte da necessidade que ele tem de ter uma Unidade de Fertilizantes Nitrogenados que está 81% pronta”, avaliou Verruck.

CONFLITO

A invasão da Rússia à Ucrânia há mais de uma semana instaurou o caos no mercado financeiro, e tratativas para a retomada da indústria bilionária não é diferente.

Antes da guerra começar, no dia 4 de fevereiro, o acordo de venda da UFN3 foi selado entre Acron e Petrobras, no entanto, era planejado para julho a finalização do contrato de viabilidade e incentivos fiscais oferecidos pelo Estado e por Três Lagoas.

Dependendo do tempo que o conflito vai durar e de seus efeitos no caixa da Acron, os analistas do mercado internacional acreditam que possa ter um impacto na continuidade do processo de venda.

“O acesso do Banco Central e das empresas russas às suas reservas e a ativos em dólar estão bloqueados e foram cancelados do sistema de pagamento internacional, o Swift. Sem poder movimentar dinheiro, a Acron não pode fechar o negócio”, afirmou Rodrigo Leão, pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), ao Estadão.

Mesmo com a possibilidade de o negócio ser desfeito, tanto o governo quanto a ministra da Agricultura, Tereza Cristina Dias, afirmam que o plano ainda segue de pé.

“Neste momento, o plano A está presente, o contrato está assinado. Tivemos mais uma reunião entre Acron, Petrobras e governo do Estado para fazer a definição disso”, sinalizou Verruck.

Em entrevista ao Correio do Estado, no domingo (6), a ministra também confirmou que não havia nenhuma mudança quanto à venda.

“Tudo que a gente sabe eu já conversei com o presidente da Petrobras, com o nosso embaixador na Rússia e também com o CEO da Acron, e tudo que a gente sabe é que não teve nenhuma mudança. Que eles querem continuar os investimentos”, disse Tereza Cristina.

VENDA CONTURBADA

A UFN3 começou a ser construída em 2011, e as obras foram paralisadas em 2014. A estrutura foi orçada na época em R$ 3,9 bilhões.

As negociações da venda da indústria localizada na região do Bolsão tiveram início em 2018, junto à Araucária Nitrogenados (Ansa), fábrica localizada em Curitiba (PR). A comercialização em conjunto inviabilizou a concretização do negócio.

Já em meados de 2019, a Acron havia fechado acordo para a compra da empresa. O principal motivo para que o contrato não fosse firmado na época foi a crise boliviana que culminou na queda do ex-presidente Evo Morales.

A Bolívia desde o início foi incluída no projeto como fornecedor oficial do gás natural, além disso, a estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) seria sócia com 12% do negócio.

Em fevereiro de 2020, a Petrobras lançou nova oportunidade de venda da UFN3. Dessa vez, a estatal ofereceu ao mercado a unidade de forma individual.

As tratativas só foram retomadas no início deste ano.

Mudança de planos para a indústria

Conforme adiantou o Correio do Estado na edição de 21 de fevereiro, já havia uma mudança nos planos de retomada da indústria.

Com a queda da produção de gás natural na Bolívia, a fábrica seria reduzida a uma misturadora de fertilizantes, fato confirmado pela ministra Tereza Cristina no domingo.

“Ela [a UFN3] com certeza também será uma misturadora por um período. O que há é o seguinte: primeiro, eles não vão entrar hoje lá e começar a fazer [fertilizantes], precisa ainda de investimentos, e eu não sei o prazo que isso vai levar. Acho que daqui a pouco a Petrobras vai falar sobre isso”.

A unidade foi projetada para consumir diariamente 2,3 milhões de metros cúbicos de gás natural para fazer a separação e transformar em 3.600 toneladas de ureia e outras 2.200 toneladas de amônia por dia.

Caso a fábrica se torne uma misturadora, ela importará os subprodutos, de acordo com a formulação indicada a cada tipo de cultura e necessidade do solo e vai misturar as fórmulas para entregar os fertilizantes ao mercado.

Informações Correio do Estado

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