Policial – 05/06/2012 – 08:06
ANDRADINA – Uma dona de casa de 35 anos, do bairro São Pedro, mãe de oito filhos, afirmou em entrevista exclusiva ao Impacto Online, nesta sexta-feira, 1/6, que manteve relações sexuais com o conselheiro Rudmar Pires Santana, no interior da sede do Conselho Tutelar [CT] de Andradina, na rua Presidente Vargas, e no veículo oficial da entidade.
“Na sede do CT foram vezes, geralmente à noite, após o expediente, e no veículo quando retornávamos de viagens em que levava um filho para tratamento contra as drogas em outra cidade. Rudmar para o carro e fazíamos sexo na beira da estrada mesmo”, conta R., cujo nome está sendo preservado. Segundo ela, o conselheiro não consentia mais ninguém nas viagens, por conta do relacionamento.
O caso entre os dois ocorreu em 2011 e acabou quando a mulher descobriu que o conselheiro abusou de sua filha adolescente, antes de enviá-la para uma clínica para viciados em Araçatuba. “A menina não pousou em casa naquela noite e de manhã o conselheiro nem deixou que tomasse banho e a levou para internação sem que precise desse tipo de tratamento”, contou a mulher.
R. relatou também à reportagem que o conselheiro lhe ofereceu R$ 200 para que retirasse a queixa e outros R$ 300 para pagar advogado e mesmo em situação financeira ruim ela não aceitou. “Esse cara [Rudmar] descobriu que meu ponto fraco são meus filhos e se aproveitou de mim o quanto pôde”, ressaltou.
A menor era assistida pela entidade antes de completar 11 anos, porque fugia de casa para ficar com amigas. Com a separação de M. do segundo marido a família foi morar em Três Lagoas e em busca de tratamento do pai cardíaco, R. se mudou para Campinas, onde permaneceu por 5 anos, até a morte do paciente. No retorno a Andradina, em 2011, a adolescente voltou a ser acompanhada pelo conselheiro, época em que foi abusada por ele.
Assim que a menina relatou o caso, R. o denunciou ao Conselho Tutelar e ao CONCRIAN – Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente.
AFASTADO POR OUTRA DENÚNCIA
Depois disso, o conselheiro foi afastado, mas sob acusação de ter mantido relacionamento com outra mulher, M., também na sede do CT. Segundo consta, Rudmar exigia vantagem sexual para cuidar da situação dos filhos da mulher, que se mudou de Andradina.
“Não encontramos a mulher para depor neste caso em vários endereços, todavia ouvimos a adolescente filha de R, e enviamos o relatório à Promotoria Pública, mas por unanimidade os membros do conselho decidiram reintegrar Rudmar recentemente, até que haja uma decisão da Justiça a respeito”, explicou o presidente do CONCRIAN, Adilson Humberto Batista.
“A decisão foi tomada também em função de a entidade correr o risco de ser penalizada pelo Tribunal de Contas, pela remuneração do conselheiro – afastado – e o pagamento de seu substituto”, argumentou.
“VITIMA DE ARMAÇÃO”
Eleito para o segundo mandato em 2011, Rudmar Pires Santana, casado, pais de 4 filhos e residente no bairro Benfica, alega estar sendo vítima de uma perseguição de alguns colegas de trabalho que querem vê-lo fora do órgão.
“É uma orquestração no sentido de denegrir minha imagem para outra pessoa assumir a minha vaga”, avalia. De acordo com ela, a menor foi internada com apoio técnico do CREAS e autorização da mãe, que confirmava o envolvimento da menina com drogas e prostituição e moradores de rua, inclusive em Campinas.
“Em março do ano passado, junto com a colega Rute e a mãe da menor, fomos buscá-la em Campinas porque estava em situação de risco”, informou o acusado, em entrevista na redação do Impacto, neste sábado. Conforme alega, em quase todas as viagens com M. estava acompanhado de outras pessoas. “Aguardo a Justiça – que eu confio – mas creio na justiça de Deus”, frisou.
A respeito da denúncia que provocou seu afastamento, Rudmar respondeu que assim que teve conhecimento dos fatos, onze meses atrás, junto com advogado, usou os princípios legais para contestar o teor da acusação e foi absolvido de tudo isso pelo CONCRIAN.
OUTRO PROMOTOR
Procurada pela reportagem nesta sexta-feira à tarde, a promotora Regislaine Toppazzi disse não ser mais a titular da Vara da Infância e Juventude da Comarca e que o caso estaria a cargo do colega Leonardo D´Ângelo, que assumiu a função nesta data e tinha visita marcada na Penitenciária.
Fonte: Jornal Impacto On line / Jornal Impacto On line


