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quarta-feira, 4 de novembro, 2026

“Que o preconceito pare”, diz mãe de dentista vítima de homofobia

Dor tomou coração de uma família que vai deixar a casa para recomeçar, mas que também cobra justiça

“Eu não quero que minha filha seja vacinada por esse tipo de gente, um viado…” A frase violenta, que ficou conhecida após denúncia de caso de homofobia na fila de vacinação em Campo Grande, não foi exatamente o que matou o dentista Gustavo Silveira Lima, mas dilatou o “buraco” que ele tinha dentro do peito desde o diagnóstico de depressão aos 20 anos. Essa é a análise da família, especialmente da mãe do dentista, Tânia Mara dos Santos Lima, de 55 anos, que viu de perto a dor do filho em não ser aceito.

Destroçada depois da morte de Gustavo, que desistiu de viver aos 27 anos, ela lembra do filho corajoso. “Quando ele expôs sua vida, foi um ato de coragem, mas ele não estava suportando tantas frustrações. Eles [LGBTQIA+] tentam ser perfeitos em tudo, porque a sociedade não os aceita. Então, que essa atitude dele, de se expor, seja a luta de outras mães, de outras famílias, de todo tipo de pessoa”.

A mãe, ainda em aparente estado de choque, diz que tentou de tudo, mas foi derrotada pela depressão. “Eu perdi o amor da minha vida, o cara que me ouvia para sair e para trabalhar, hoje, eu estou sem rumo, sem para onde ir. Achava que eu ia conseguir, mas eu não consegui tirar ele desse momento”, desabafa.

Abraçada ao esposo e com olhos cheios de lágrimas, ela reforça o pedido. “O que a gente pede é que ela [mulher que cometeu homofobia] possa responder judicialmente. E que esse preconceito pare de existir, isso mexeu muito com a cabeça do Gustavo”, finaliza.

Na quarta-feira da semana passada, 13 de outubro, Gustavo saiu de casa cedo e foi trabalhar. Parecia um dia normal, segundo a família. Mas a madrugada chuvosa de quinta-feira (14) marcou o desfecho da história dele.

A dor agora tem endereço. Por isso, pai, mãe e irmão viajaram para ficar juntos aos familiares no interior e querem entregar a casa alugada. “Vivemos coisas boas aqui, mas agora ela traz só lembranças ruins”, diz o irmão Adriano Lima, de 34 anos, sobre o lugar onde o dentista morreu.

Informações: Campo Grande News

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