Geral – 29/05/2012 – 08:05
O auxiliar geral era casado havia 12 anos e deixou dois filhos, de 9 e 11 anos de idade
O eletricista aposentado Juarez Silva, o Galego, 57, confirmou que seu irmão o auxiliar de serviços gerais Jurandir Soares Albuquerque, o Didi, 55 anos, da rua Padre Claro, centro, morreu de dengue hemorrágica na última quinta-feira, 24, na UTI da Santa Casa de Andradina, para onde foi encaminhado após ser atendido em Castilho.
Didi morreu às 10h45, atesta a Certidão de Óbito assinada pelo médico Carlos Eduardo M. Rocha, um dos que atendeu o paciente. “Ele ficou preto, o cabelo azul, o corpo todo empelotado e havia muito sangue na cama”, conta Galego, que chora ao lembrar a ânsia e o desespero vividos pelo irmão. Com a Certidão de Óbito em mãos, a família descarta a possibilidade de Didi ter morrido de infarto, já que tinha três pontes de safena.
“A todo instante ele me pedia que não o deixasse morrer, mas a certa altura sua dor se tornou insuportável, ao ponto dele pedir para lhe cortar as pernas ou que lhe aplicasse uma injeção que o matasse”, relatou o eletricista, em entrevista exclusiva ao Impacto Online, na tarde desta segunda-feira.
O drama do auxiliar começou ao chegar do trabalho, numa empresa em Três Lagoas [MS], às 19h30 de terça-feira. Com febre, tomou Dipirona e se deitou. Às 6 da manhã foi levado ao CIS – Centro Integrado de Saúde, mas não foi atendido porque as dezesseis vagas existentes já haviam sido preenchidas.
De acordo com a esposa Elizabete Rafael e o irmão Galego, às 7 horas o paciente foi atendido pelo dr. Lincoln Miyamoto, no Hospital e Maternidade, mas este o dispensou afirmando que se tratava apenas de uma gripe forte,, lhe receitou Dipirona e forneceu atestado de três dias. “Não me lembro desse paciente”, respondeu o médico ao ser indagado pela reportagem nesta segunda-feira.
Mesmo com febre alta e muitas dores, Didi retornou para casa, mas às 18h foi novamente levado ao hospital. Na ocasião, uma médica autorizou Dipirona e soro na veia dispensando o paciente posteriormente.
Só que seu quadro se agravou e a 1h da madrugada de quinta-feira, 24, outra vez no hospital, o médico Fernando Lourenção suspeitou de dengue, percebeu a gravidade do paciente e autorizou sua internação com urgência.
“Não havia vaga na Santa Casa em Andradina e meu irmão se queixava de muita dor, pedindo pelo amor de Deus que fosse submetido a uma consulta paga, mas não o deixasse morrer. Choramos juntos e às 7h da manhã conseguimos agendar consulta com o cardiologista dr. Eraldo Silveira. Ele disse que Didi estava com dengue, tinha chance mínima de sobreviver e nem cobrou os R$ 230 do atendimento”, contou o aposentado, elogiando o profissionalismo do médico.
Galego não se conforma com o fato de em Castilho a doença não ter sido diagnosticada a tempo e seu irmão não ter bebido água suficiente recomendada no caso de dengue. “Didi pedia água e refrigerante, mas só lhe deram um pouquinho”, conta, indignado. O irmão e a esposa só não sabem se Didi contraiu a dengue hemorrágica em Castilho ou em Três Lagoas.
CASOS
Segundo a Vigilância Epidemiológica, Castilho tem 116 casos confirmados de dengue – quase o dobro do ano passado, 374 suspeitos e 37 aguardando resultados de exames. A respeito dessa morte, o setor aguarda exame do Instituto Adolfo Lutz.
A enfermeira Nayra Janaina Dias atribui o alto número elevado de dengue em Castilho, parte pelo desleixo da comunidade, que não adota as medidas necessárias para evitar a proliferação do mosquito transmissor; o fato de Castilho ter muitos trabalhadores atuando em Três Lagoas [MS], onde há mais de 1,5 mil casos suspeitos da doença
Fonte: Jornal Impacto On Line / Jornal Impacto On Line


