Geral – 27/05/2012 – 09:05
Um dos fatos mais intrigantes em torno da CPI do Cachoeira é o de estar na sua defesa um personagem da estatura política do advogado Márcio Thomaz Bastos.
Não é um advogado qualquer, nem pode ser visto como tal. Ex-ministro da Justiça de Lula e um de seus conselheiros políticos mais notórios, assume a defesa de alguém cuja CPI foi idealizada pelo próprio Lula. É intrigante mesmo.
Lula figura, pois, na defesa – ao ter seu ex-ministro e conselheiro aconselhando o contraventor – e no ataque, ao idealizar a CPI. Sabe-se que Cachoeira é um homem-bomba, como o foi Roberto Jefferson, no episódio do Mensalão.
Jefferson integrava a base parlamentar do governo como um de seus mais fiéis defensores. O Mensalão não o incomodava. Ao contrário, foi confessadamente beneficiário de RS 4 milhões, doados pelo esquema do PT ao seu partido, o PTB, que, segundo se noticiou na época, não chegou a ver a cor do dinheiro.
Eis, porém, que, numa guerra de partilha, Jefferson começou a ter seus aliados expostos em escândalos, pela imprensa. Atribuiu o vazamento deliberado a José Dirceu e, perdido por um, perdido por mil, decidiu, como um Sansão profano, derrubar as colunas do templo. Morreria, mas levaria todos com ele. E assim foi.
Poupou, inicialmente, apenas Lula. Mas só inicialmente. Quem se der ao trabalho de ler o discurso com que encaminhou a votação de sua cassação – e depois o que escreveu no livro “Nervos de Aço” -, verá que tentou incluir o então presidente no rol do Mensalão, mas já sem força política para fazê-lo.
Fonte: por Ruy Fabiano


