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segunda-feira, 9 de março, 2026

“Noite de terror”, narrou ex de guarda sobre pedido de proteção antes da morte

A gravação de áudios enviados por Maxelline da Silva dos Santos, assassinada aos 28 anos pelo ex, a uma amiga detalha “noite de terror” vivida pela professora antes de pedir medida protetiva contra Valtenir Pereira da Silva, de 37 anos. Dias antes de morrer, em 29 de fevereiro de 2020, a educadora procurou a polícia para denunciar o então guarda municipal por violação de domicílio.

A vítima de feminicídio contou que o ex-companheiro invadiu a casa dela, na noite do dia 16 de fevereiro, pulando o muro dos fundos. “Não amiga, ele não fez cópia da chave. […] Ontem, sabe o que ele fez? Encostou o carro bem devagarzinho ali, pulou o portão, subiu no portão, subiu pelo muro, veio andando em cima de todas as casa até chegar na minha. Pulou o muro aqui do fundo, me surpreendeu aqui no fundo”.

A professora narrou que foi socorrida por uma vizinha. “A vizinha aqui do lado viu… tudo, saiu pra… botou a cara na janela […] Aí que eu consegui me soltar dele e saí correndo”.

Maxelline ainda relatou que o ex sacou a arma para ela e que precisou se esconder em matagal. “Sacou a arma e apontou para mim, ficou mirando de lá de longe. Só que eu acho que ele estava tão…, sei lá, bêbado, drogado. Sei lá o que que era. Sei que ele não conseguiu me enxergar. Aí eu saí correndo amiga, me escondi no matagal…, só de roupa de dormir, quase pelada, no breu, na escuridão, descalça, descabelada”.

O guarda municipal saiu de carro à procura da ex, segundo o relato dela. “Ele saiu dando volta quarteirão, atrás de mim, parava nos cantos, ficava rodando atrás de mim e eu com medo dele me atrope…, dele joga o carro pra cima de mim. Pensa na noite de terror, nunca vivi… isso que eu vivi ontem. Não desejo para ninguém”.

A jovem conta que fugiu correndo pelo bairro onde morava e ninguém a socorreu, até que a filha da madrasta a viu no meio da rua. “Meu pé está até ardendo do tanto que eu corri descalça, no asfalto, com todo mundo me olhando. Ninguém parou para ajudar, não tinha uma alma viva para ajudar”.

Já era a madrugada do dia 17 quando Maxelline foi até a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) para pedir proteção contra o ex. “Fiz boletim de ocorrência solicitando medida protetiva. Aí amiga, tamos aí…”. É assim que a vítima encerra a conversa, 12 dias antes de reencontrar Valtenir e ser morta por ele com tiro na cabeça.

Guarda chegando na delegacia de bermuda, chinelo, camiseta, usando boné e óculos escuros (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)

Trâmite processual – A decupagem do áudio foi anexada à ação penal que tramita contra o ex-guarda civil. Mais de um ano depois do crime, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), também conforme o andamento dos autos, agora espera perícia no celular do assassino confesso de Maxelline.

Demitido da Guarda Municipal em 24 de julho do ano passado, o ex-servidor responde preso pelo crime desde que se entregou no dia 6 de março de 2020, quando já tinha contra si mandado de prisão preventiva (por tempo indeterminado).

Além de responder pelo feminicídio, Valtenir também é acusado de matar, naquela mesma noite, o amigo de Maxelline, Steferson Batista de Souza, e balear pelas costas a namorada dele, Camila Telis Bispo.

O réu disse, em juízo, quando chegou à casa da amiga da ex-namorada, ficou “pilhado” ao se deparar com o que acreditou serem três casais.

Informações do site Campo Grande News

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