Mesmo assim, o Estado sofre com a falta de medicamentos durantes picos da pandemia
20/04/2021 08h38
Por: Paulo Renato
Desde o começo da pandemia, Mato Grosso do Sul tem recebido anestésicos e bloqueadores musculares. Assim, o Estado é o que mais recebeu medicamentos do kit de intubação no Centro-Oeste. Foram 241.170 ampolas de remédios enviadas pelo Ministério da Saúde.
Os diversos medicamentos enviados, todos anestésicos e bloqueadores musculares, são usados para internação de pessoas em UTIs (Unidades de Terapia Intensiva). São utilizados diariamente no tratamento de pacientes Covid-19 internados com uso de ventilação.
Assim, os dados foram consultados por meio de dados abertos do Governo Federal. Então, os envios começaram em 1º de julho, quando o Estado registrou apenas 78 pacientes internados em UTIs e 39% de ocupação.
Diferente daquela época, o último envio registrado no sistema é de 2 de abril de 2021. Neste dia, MS tinha 403 pessoas internadas em UTIs por causa da Covid-19. O Estado atingiu superlotação de 105% neste dia.
Falta de medicamentos
Assim como outros estados brasileiros, MS sofre com a escassez de medicamentos para internações em UTI. Os kits são providos pelo Governo Federal, que com a alta demanda e avanço da pandemia, acabam beirando a insuficiência para atender os pacientes em estado grave.
Mesmo sendo o que mais recebeu estes insumos no Centro-Oeste, em março o Estado passou por momentos de crise no abastecimento do kit intubação. O HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul), referência no tratamento da Covid-19 em MS, declarou ter medicamentos para apenas 15 dias naquele mês.
A situação continua semelhante em abril, quando funcionários denunciaram a falta de alguns medicamentos do kit no HRMS. Assim, o Governo do Estado enviou um avião até São Paulo para buscar os remédios que o Ministério tinha separado para MS.
Qualquer paciente que faz uso de UTI está em estado grave e precisa destes medicamentos. Os anestésicos e bloqueadores musculares servem para evitar o sofrimento, dor e principalmente relaxar a caixa toráxica. Só assim os intubados conseguem fazer uso da ventilação mecânica.
Profissionais de Saúde disseram ao Nexo que, quando a internação segue sem os medicamentos, os pacientes podem tentar até mesmo tirar o tubo da garganta com a própria mão, de tanta dor. Assim, alguns consideram que a situação possa ser comparada com tortura e causar danos psicológicos no paciente.
Fonte: Midiamax



