26.1 C
Três Lagoas
domingo, 5 de julho, 2026

Mortes por Covid-19 no MS superam total de óbitos provocados pela Aids em 39 anos de registros

Com as 20 mortes confirmadas na quarta-feira (24), o estado chegou à marca de 3.915 óbitos por coronavírus durante toda a pandemia, superando as 3.911 mortes relacionadas ao HIV/Aids entre 1980 e 2019, 39 anos.

25/03/2021 15h01
Por: Gabrielle Borges

Em pouco mais de um ano, o número de mortes provocadas pela Covid-19 em Mato Groso do Sul superou o total de vítimas da Aids desde 1980, segundo dados do Ministério da Saúde.

Com as 20 mortes confirmadas na quarta-feira (24), o estado chegou à marca de 3.915 óbitos por coronavírus durante toda a pandemia, superando as 3.911 mortes relacionadas ao HIV/Aids entre 1980 e 2019, 39 anos.

A Aids foi a doença provocada por vírus ou bactéria que mais matou brasileiros de 1996 a 2019, à frente de outras patologias como tuberculose, meningite e doença de Chagas.

O levantamento do Ministério da Saúde divulgado em 1º de dezembro do ano passado, Dia Mundial de Luta Contra a Aids, leva em consideração as mortes registradas pela doença até dezembro de 2019, exatamente quando os primeiros casos de Covid foram confirmados na China.

Tanto a Aids quanto a Covid-19 são transmitidas por vírus, porém de formas diferentes. Um indivíduo se infecta com o HIV unicamente por meio de fluidos corporais (sêmen, sangue e leite materno). Já o novo coronavírus é transmitido por meio de gotículas respiratórias suspensas no ar, por meio do toque em superfícies contaminadas e o contato pessoal.

Outras diferenças entre as doenças são a velocidade das mortes e o tratamento. Levando em consideração os óbitos apontados no boletim do Ministério da Saúde, a média anual é de 100 mortes por HIV/AIDS nos últimos 39 anos. Segundo a secretaria estadual de Saúde (SES), entre sábado (20) e quarta-feira (24), foram 116 vidas perdidas por covid no estado.

O médico do Centro de Testagem e Acompanhamento (CTA) da secretaria de Saúde de Campo Grande, Roberto Paulo Brás Junior, aponta que a Aids continua matando, mas tem tratamento. “A gente costuma falar que a Aids é a epidemia que não acabou. Ela começou nos anos 80 e causou muitas vítimas. Só que a diferença é que hoje ela tem um tratamento eficaz, um tratamento que pode fornecer qualidade de vida para as pessoas”, afirma Júnior.

Tratado com antirretrovirais, o HIV se tornar indetectável no organismo.

Apesar da busca incessante por um tratamento eficaz contra o coronavírus, nem mesmo medicamentos usados para outras infecções, como o Remdesivir para tratar o Ebola, convencem especialistas. O médico infectologista, professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e pesquisador da fundação Oswaldo Cruz, Júlio Croda, destaca que não há nenhum estudo de efetividade desta medicação no Sistema Único de Saúde (SUS).

O infectologista reforça a necessidade de medidas de restrição para evitar a transmissão do coronavírus e assim, diminuir o número de casos e mortes por Covid-19. “Para ver uma redução no número de óbitos, é preciso primeiro ver uma queda no número de casos. Se a gente implementar alguma medida mais radical de controle da pandemia neste momento, o impacto vai ser em duas semanas. Quanto mais a gente postergar essas medidas, mais sofrimento a gente vai gerar, porque pessoas que poderiam de alguma forma não adquirir a doença, não terão acesso ao sistema de saúde por conta das opções que foram feitas, principalmente, na contensão da pandemia”, garante.

Outra diferença entre as duas doenças é a vacina. Enquanto o imunizante que pode prevenir o HIV está em estudo há mais de uma década e iniciou recentemente a fase 3 (final) de testes no mundo, em menos de um ano os cientistas desenvolveram vacinas eficientes que protegem a população das formas graves da covid. Segundo a SES, foram aplicadas 330.110 doses de vacinas contra a Covid no estado, sendo 243.472 a primeira dose e 86.638 a segunda dose.

Primeira vítima de Covid-19 em MS foi idosa de Batayporã, em março de 2020 — Foto: Carlos da Cruz/TV Morena

Deu na Rádio Caçula? Fique sabendo na hora!
Siga nos no Google Notícias (clique aqui).
Quer falar com a gente? Estamos no Whatsapp (clique aqui) também.

Veja também

Defesa Civil de Três Lagoas participa de palestra com especialista que inspirou série da Netflix

Agentes municipais participaram da programação da Semana de Prevenção e Combate a Incêndios promovida pela Eldorado Brasil e acompanharam palestra sobre segurança radiológica

Discussão entre amigos termina com jovem morto a facadas no Setsul em Três Lagoas

Vítima, de aproximadamente 25 anos, sofreu duas perfurações por arma branca, onde suspeito foi detido no local e Polícia Civil investiga se o crime ocorreu em legítima defesa

Três Lagoas ganha relógio digital urbano em nova parceria

Equipamento instalado na Avenida Rosário Congro exibe horário, data e temperatura em tempo real e reforça projeto de modernização dos espaços públicos