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Fôlego curto, mudança no paladar, depressão e até esquecimento: pacientes curados falam das queixas pós-Covid

Especialista contabiliza cerca de mil pessoas atendidas desde que a doença chegou em MS, há um ano. Ele também ressalta a importância em tratar a síndrome pós-Covid

16/03/2021 09h09
Por: Gabrielle Borges

Fôlego curto, tosse, falta de ar, mudança no paladar e até esquecimento. Na parte comportamental e neurológica, estão a perda de concentração, depressão e até casos de síndrome do pânico. Após a cura da Covid, estas são as queixas de alguns pacientes, algo que os especialistas buscam respostas e não chamam de sequelas, mas sim de síndrome pós-Covid.

É o caso do contabilista Pedro Joamir de Matos Rodrigues, de 59 anos, infectado pela Covid em 2020.

Na época, Pedro conta que até tentou fazer outras atividades, porém logo sentia tontura e cansaço

No entanto, ainda conforme Pedro, existem “resquícios da doença”. “Sinto dores no peito às vezes. Não estou sentindo nada e, de repente, sinto e quando amanhece está no outro lado. O médico me disse que, de 4 a 6 meses, é pra checar o pulmão e vou estar fazendo isso sempre agora”, comentou.

Tempestade inflamatória

De acordo com o pneumologista, Pedro fez o tratamento inicial, depois passou pela fase inflamatória e, no meio disso, teve o que os médicos chamam de “tempestade inflamatória ou tempestade de citocinas”.

O jornalista Paulo Yafusso, de 56 anos, confundiu uma simples gripe com a Covid, em maio de 2020. “Os médicos me explicaram que tudo depende muito da carga viral que a pessoa recebe. Cheguei a ir ao serviço um dia, mas, tive mais de um sintoma e fui embora pra casa. Fiz o teste, saiu o resultado três dias depois e já comecei o tratamento”, falou.

Quando terminou a medicação, Paulo conta que recebeu uma ligação da Secretaria Municipal de Saúde [Sesau]. “Falei com o médico e ele pediu uma avaliação pós-tratamento. No hospital, fiz a tomografia e depois vi o médico conversando sobre refazer um exame, só que não achei que fosse o meu caso”, relembrou.

Em seguida, o profissional pediu a ele para refazer. “Ele comentou que achou que estivesse errado, mas, o nível de saturação no sangue estava 83 e ele não estava entendendo nem como eu estava bem, sem tosse, sem febre, conversando normal. Foi aí que pediram a minha internação e eu mesmo assinei a permissão para o CTI [Centro de Terapia Intensiva], já com os pulmões bem comprometidos”, argumentou.

Com a alta médica, Paulo conta que a ligação do médico, pedindo a ele para avaliar o pós-Covid, fez “toda a diferença”. “Foi essencial porque nem precisei de tomografia e depois de três semanas voltei a trabalhar. Mas os reflexos da Covid continuaram e tenho dores nas articulações e cansaço, algo que só sentia quando fazia algo bem puxado”, disse.

Ainda falando dos casos mais graves, quando é necessária a intubação e ventilação mecânica, por exemplo, o médico fala que o paciente fica com o pulmão extremamente comprometido após cura da doença, sendo necessário o acompanhamento para que ele não tenha uma fibrose pulmonar, por exemplo.

Cheiros ficaram estranhos, fala dona de casa

A dona de casa Fernanda Soares, de 30 anos, também pegou Covid no ano anterior. Quando passou o período de isolamento e ela retomou a vida, voltando a sair para atividades essenciais, fala que sentiu alterações no olfato.

“Eu não sentia cheiro de perfume. A comida também, no início não estava sentindo o cheiro ao cozinhar e depois voltou, só que mais forte, aguçado mesmo. Agora, odores, como fezes, também não sinto mais, é algo estranho. Parece que ficou tudo muito parecido”, lamentou.

Fernanda, até o momento, não procurou um profissional da saúde para entender as alterações. No entanto, segundo o Ronaldo, que atende pacientes na clínica dele e também em hospitais, cerca de mil pacientes pós-Covid foram atendidos por ele neste período, com a parceria de um médico radiologista, responsável pelos exames dos pacientes..

“Nós temos contabilizados este grande número de pacientes pós-Covid. Para chegar na minha sala, tem uma escadinha e muitos deles já chegam falando que estão cansados só de subir ali. E quando vou examinar, a gente vê que a pessoa tem um comprometimento pulmonar. Mas temos medicação para evitar uma fibrose pulmonar. Temos anti-fibróticos e fisioterapia multidisciplinar, que vão garantir sucesso no tratamento”, comentou.

Sinto uma tristeza profunda, diz esteticista

Uma esteticista, de 24 anos, que não quer ser identificada, fala que ela e o namorado foram infectados pela doença. No entanto, passado um tempo, ela passou a sentir “uma tristeza profunda”.

“Ela fala muito dos cheiros, mas, recentemente fala que já voltou ao normal. Eu tive todos os sintomas e me curei. Na minha cabeça, estava tudo certo, só que voltei a trabalhar e passei a sentir medos, é algo bem ruim. Fico triste, acho que vou morrer, não sei explicar. Meu próximo passo é procurar ajuda de algum psicólogo agora”, disse.

Ciclo da Covid

Quando a pessoa tem contato com o vírus, 14 dias são suficientes para ter o desfecho dele no organismo. Ainda conforme o especialista, são 3 fases. No caso dos primeiros cinco dias, ocorre a fase de duplicação viral, com sintomas mais leves.

Já no caso do sexto ao décimo ou décimo segundo dia, é a vez da “fase inflamatória”. “Aí é um divisor de águas, já que na maioria dos casos a pulmão cura em casa, não precisa de oxigênio e é o caso da maioria graças a Deus. Só que temos casos da fase 2A, quando surgem os sintomas respiratórios e o paciente já tem desconforto. Ele pode continuar o tratamento em casa. Já na fase 2B, os pacientes precisam de oxigênio, com queda de saturação do oxigênio, máscara e a VNI [Ventilação Não Invasiva], algo que dura de 4 a 5 dias”, afirmou.

Na fase 3, ainda segundo Ronaldo, é quando “nem máscara e nem oxigênio resolveu”, sendo esta considerada uma fase muito grave da doença. “O percentual que chega a esses casos varia de 1,5% a 5% e aí é feita a intubação orotraqueal, então, indiscutivelmente, o que mata é o pulmão. É o órgão mais afetado pela doença”, lamentou.

Desde o início, com o avanço da medicina, os profissionais sabem os protocolos de tratamento. No entanto, o que ocorre depois no organismo é que ainda é um mistério. “O vírus é vencido e aí fica o rastro, essa falta de ar que muitos se queixam, tosse, fôlego curto, perda do paladar, então a população precisa ser orientada. Temos ainda os casos neurológicos e por isso estamos trabalhando em conjunto com psiquiatras e psicólogos”, finalizou.

— Foto: Anderson Viegas/G1 MS

pulmão de paciente em três momentos; comprometido e com muitas manchas brancas e depois recuperado — Foto: Reprodução

Mesmo exame feito por contabilista durante tratamento da Covid; no primeiro estava com 50% do pulmão comprometido — Foto: Montagem/G1 MS

Especialista fala sobre sintomas persistentes após cura da Covid — Foto: Redes Sociais/Reprodução

Médico diz que contabiliza mil pacientes atendidos pós-Covid neste um ano em MS — Foto: Ronaldo Queiroz/Arquivo Pessoal

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