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Maggi avisa que depoimento de Pagot a CPI “vai doer um pouco”

Política – 11/05/2012 – 17:05

O senador Blairo Maggi (PR-MT) afirmou, nesta quinta, em entrevista à Agência Estado, que o ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) Luiz Antônio Pagot, seu afilhado político, está disposto a depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira. “Ele me disse que está à disposição e, inclusive, saiu do partido (PR) para ter a liberdade de falar o que achar interessante. Acho que o Pagot está em busca de limpar sua biografia, pois ficou claro que ele foi vítima de um contexto. Se vai doer em um ou outro, paciência”, disse Maggi, durante visita à Agrishow, em Ribeirão Preto (SP).

Novas gravações mostram que o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) monitoraram o depoimento que Pagot fez, há um ano, no Senado, temendo que ele revelasse a ação da construtora Delta, investigada pela CPMI, no DNIT. Na conversa, Cachoeira fala a Demóstenes que Blairo teria “mandado falar” que intercederia junto a Pagot para não citar o esquema no depoimento. “Fui citado na gravação, porque quando aconteceu o negócio com o Pagot, há um ano, eles ficaram com medo de que tudo que caiu agora, caísse lá atrás. Tinham desconfiança que ele falasse algo”, disse o senador.

“Eu não sabia de nada e, se soubesse, até agiria de forma diferente”, completou Maggi, negando ainda conhecer Cachoeira. “Para mim, nunca nenhum deles ligou, eu nunca nem ouvi falar em Cachoeira, nem conhecia”.

O senador mato-grossense criticou, com certa ironia, Demóstenes Torres pela atuação no depoimento de Pagot em 2011 no Senado. “Demóstenes foi lá naquela sessão e inquiriu ele (Pagot). Imagine se ele vira para o Demóstenes e fala: senador eu não estou entendendo, o senhor me chama na sua casa para jantar com empreiteiro, pede para eu ajudar o cara numa obra e agora vem me criticar?”, afirmou.

“Esse era o medo que eles tinham, por isso o estavam monitorando”. Ainda segundo Maggi, a CPMI do Cachoeira é diferente de outras porque toda a investigação já foi feita pelo Ministério Público e pela Polícia Federal.

“O Senado já recebeu a investigação e acho que não deveremos ter grandes novidades daqui para frente. O Congresso vai fazer o julgamento político, porque o resto já está apresentado”, concluiu.

Fonte: Estadão

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